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Feiras do pirarucu manejado garantem o retorno de 50 mil reais aos pescadores

Escrito por

Amanda Lelis

Publicado em

08/12/16

Neste ano, os manejadores da Reserva Mamirauá realizaram três feiras de Pirarucu do Manejo. Todo o valor arrecadado com a comercialização do peixe vai para os grupos envolvidos na atividade. Ao todo, a venda do produto de manejo resultou no retorno de mais de 50 mil reais aos pescadores e pescadoras que realizaram a feira. A ação, que visa apresentar para a população local o produto de manejo e aproximar os consumidores e manejadores, conta com o apoio do Instituto Mamirauá. Dois acordos de pesca estiveram envolvidos na organização do evento, que ofereceu à população cerca de 185 peixes provenientes do manejo participativo.

O Acordo de Pesca do Pantaleão, que organizou a feira no município de Tefé, vendeu 2.980 kg de pirarucu, resultando no retorno financeiro de aproximadamente 15.300,00 reais aos manejadores. Já o Acordo de Pesca do Jarauá, que organizou a feira em Alvarães, vendeu o equivalente a 2.512 kg de peixe e obteve cerca de 14.600 reais com a venda aos consumidores locais.  As duas feiras aconteceram nos dias três e quatro de dezembro, nos dois municípios do interior do Amazonas.

Outra feira já havia sido realizada em Tefé no mês de outubro. Foi vendido o equivalente a 3.631kg de peixe inteiro eviscerado, que rendeu o faturamento de mais de 22 mil reais para os manejadores do Acordo de Pesca do Pantaleão, que organizou o evento. Essas ações contam com recursos do Banco da Amazônia e do Governo Federal para sua realização.

Jorge de Souza Carvalho, presidente do Acordo de Pesca do Jarauá, foi um dos precursores do manejo participativo na região, que contribuiu com seu conhecimento tradicional para o estabelecimento de um protocolo de manejo, junto aos pesquisadores. “Apenas sou uma pessoa que nem terminou o primeiro ano de estudo, mas aprendi com a vida as primeiras coisas do manejo e pra sempre eu falo: esse projeto começou no Jarauá. De lá pra começar o manejo, a gente trabalhou bastante pra chegar até onde nós estamos hoje. E espero que continue e nunca acabe”, comentou o pescador. Junto com outros pescadores e a equipe de pesquisa do Instituto Mamirauá, Jorge ajudou a desenvolver o método de contagem de pirarucu, fundamental para o estabelecimento das quotas anuais de manejo pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama).

Ana Cláudia Torres, coordenadora do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá – unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações -, comenta que as feiras têm o propósito de diminuir a distância entre quem produz e quem consome. “Muitas vezes, com o produto que é vendido nas feiras e nos mercados, não é vista a figura do pescador, mas do intermediário que é alguém que já adquiriu esse produto e está repassando para o consumidor. A feira também trabalha o princípio do comércio justo, da economia solidária.  Que ganha quem vende o produto, mas o consumidor também ganha, tendo acesso a um produto de qualidade com um preço justo”, contou Ana.

Walter de Araújo é da diretoria executiva da colônia z4 de Tefé e faz parte do Acordo de Pesca do Pantaleão que, neste ano, organizou a primeira Feira do Pirarucu Manejado em Tefé (AM). De acordo com o manejador, são muitas as vantagens de se obter o produto de manejo: “essa feira que estamos fazendo vem trazer um produto de qualidade, onde há possibilidade de comprar e levar a qualquer um canto do país. E o que eu peço aos consumidores é que procurem abrir os olhos para aquilo que é bom, de qualidade, ao invés de se arriscar por um produto ilegal.  Isso tem nos atrapalhado na venda do produto do manejo. Estão competindo com a gente, tem atrapalhado muito”, disse o pescador.

Histórico

O Acordo de Pesca do Jarauá foi o primeiro a realizar o manejo participativo do pirarucu com o apoio do Instituto Mamirauá, realizando a primeira pesca em 1999. Atualmente, estão envolvidos pescadores das comunidades São Raimundo do Jarauá, Manacabi, Nova Colômbia e Punã, da Reserva Mamirauá, além da Colônia de pescadores Z-23 de Alvarães. Em 2015, foram beneficiados 136 manejadores com a venda de mais de 67 mil quilos, e o rendimento bruto de 303 mil reais para os manejadores, equivalente a uma média bruta de cerca de 2.200 reais por pescador. Para o ano de 2016, foi autorizada a quota de 1.500 peixes pelo Ibama.

Já o Acordo de Pesca do Pantaleão conta atualmente com a participação de 105 manejadores das Colônias de Pescadores Z-4 de Tefé e Z-23 de Alvarães, além dos pescadores da comunidade Novo Pirapucu. A primeira pesca pelo manejo participativo foi realizada em 2008. No último ano, foram vendidos mais de 33.600 quilos de peixe, que rederam um faturamento de aproximadamente 148.500 reais, e uma média bruta de cerca de 1.400 reais por pescador. Para o manejo de 2016, a quota autorizada pelo Ibama para o grupo foi de 723 peixes.

Em 16 anos, o manejo participativo do pirarucu deu um retorno de mais de cinco milhões de reais de faturamento bruto para os participantes do Acordo de Pesca do Jarauá. E, nos oito anos de manejo pelo Acordo de Pesca do Pantaleão, os manejadores tiveram o faturamento bruto de mais de um milhão de reais.

Texto: Amanda Lelis

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