©Everson Tavares

Encontro de Manejadores Florestais debate aproveitamento da madeira para comercialização

Escrito por

Júlia de Freitas

Publicado em

12/04/19

Antes definidos de modo unilateral pelos compradores, os preços da madeira da Reserva de Desenvolvimento Mamirauá têm sido cada vez mais estipulados através de acordos justos realizados junto aos manejadores florestais. Do dia 9 a 11 de abril aconteceu em Tefé, no Amazonas, o 18º Encontro de Manejadores Florestais com o objetivo de discutir novas metodologias para maior aproveitamento da maneira comercializada e esclarecimento de normas do manejo sustentável.

O evento organizado pelo Instituto Mamirauá é realizado anualmente com o propósito de debater problemas do manejo florestal do ano anterior, atualização de normas, novos procedimentos e análises de casos de sucesso.

De acordo com a técnica do Programa de Manejo Florestal Comunitário do Instituto Mamirauá, Elenice Nascimento, o encontro também é importante para trocas de experiências entre os próprios manejadores. “É também para eles se ajudarem, porque tem manejador novo e manejador com 20 anos de experiência. Então tem gente muito experiente que pode ensinar, e é importante os mais novos verem as formas de superar as dificuldades que o manejo florestal tem”, diz.

Acordo com indústrias de Manacapuru

O foco da 18º edição da reunião foi o acordo de comercialização de madeira manejada com indústrias do município de Manacapuru, localizado na região metropolitana de Manaus. Até 2013, a seleção de compradores era feita através da Rodada de Negócios, realizada também no encontro. Com o decréscimo gradativo desde 2009 no número de compradores, os manejadores passaram a negociar a madeira diretamente com a indústria madeireira do município metropolitano, grande interessada no produto.

No encontro, foi debatida uma nova metodologia de medição das toras de madeira. A medida surgiu da necessidade de melhorias no aproveitamento do produto e redução de perdas. “Quem tem que discutir isso é o manejador, que pode dizer se entendeu e se aceita esse novo tipo de medição”, explica a técnica. O novo procedimento foi resultado de pesquisas realizadas pelo Programa de Manejo Florestal Comunitário, do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Após a definição dos manejadores, as atualizações no acordo serão levadas para negociação com as indústrias. “Após fecharmos esse item, passamos a debater o próximo, que é o transporte da madeira”, explica Elenice. Participaram do encontro cerca de 20 manejadores florestais e representantes de associações de 13 comunidades da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, na região do Médio Solimões, estado do Amazonas.

Esclarecimentos

A atualização em relação a regras do manejo sustentável é um dos principais objetivos do evento. Nessa edição, foi salientada por técnicos do Instituto Mamirauá a proibição do manejo da ucuúba (Virola surinamensis), espécie sob risco de extinção de acordo com a União Internacional para Conservação da Natureza (UICN). “Ela foi por muito tempo usada no passado então quase não tem mais. Recentemente, a legislação federal autorizou o uso da virola sob apresentação do laudo técnico. Mas na reserva, o manejo dela está proibido”, afirma a técnica.

Outros temas de interesse dos manejadores também foram debatidos como dificuldades fiscais na comercialização da madeira e os próximos passos da assessoria técnica realizada pelo Instituto Mamirauá na reserva.

Para o manejador florestal e agente ambiental voluntário Matheus Nogueira as informações discutidas são de grande importância para os participantes. “Cada dia que passa as coisas vão melhorando e nós vamos esclarecendo essa questão das legislações que mudam. Então, cada vez mais a gente está aprimorando e isso tudo é de grande importância pra gente levar pra comunidade e para as futuras gerações saberem o que fazer no manejo florestal”, conclui.

Texto: Júlia de Freitas

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