Em duas áreas monitoradas pelo Instituto Mamirauá nascem quatro mil filhotes de quelônios amazônicos

Escrito por

Vanessa Eyng

Publicado em

18/02/15

O monitoramento contínuo em áreas de proteção permite que os pesquisadores tenham cada vez mais dados sólidos visando à conservação de espécies. Pensando nisso, o Instituto Mamirauá monitora desde 1998 praias que se formam durante a seca na Reserva Mamirauá, acompanhando o período de reprodução de três espécies de quelônios: iaças, tracajás e tartarugas-da-Amazônia. No ano de 2014, em duas áreas de desova, uma no setor Horizonte e outra no setor Aranapu, foram acompanhados 163 ninhos de iaça, 103 de tracajá e 63 de tartaruga-da-Amazônia. Quase 4.000 filhotes de quelônios nasceram nessas duas áreas, número que poderia ter sido bem maior se não tivesse ocorrido o aumento precoce do nível do rio.

“Percorremos a praia todas as noites a procura das fêmeas e os seus ninhos. O ninho é marcado no GPS e fazemos a biometria das fêmeas, pesando, medindo e marcando cada indivíduo e medindo também dez ovos de cada ninho”, conta Ana Júlia Lenz, pesquisadora do Instituto Mamirauá. Os filhotes de tartaruga-da-Amazônia levam cerca de 60 dias para emergirem do ninho, já os de tracajá e iaçá cerca de 75 dias. Quinze dias antes de cada prazo, é colocada uma tela de proteção sobre os ninhos, para capturar os filhotes. Quando emergem, eles são coletados. Em um flutuante de pesquisa a equipe faz a medição e marcação de cada um. Depois os filhotes são soltos na mesma praia onde nasceram.

A marcação, medição e soltura dos animais seguem padrões estabelecidos em conjunto com diversos órgãos e instituições de pesquisa. “Em 2014 começamos a seguir um protocolo novo, que é a marcação de filhotes. Todos os filhotes receberam uma marca na falange distal, a ponta de um dos dedos. Essa parte não regenera, e não prejudica em nada o animal”, afirma Ana Júlia. Além disso, a adoção dos protocolos permite que se tenha cada vez mais informações consistentes e comparáveis para toda a região amazônica.

Este monitoramento contínuo formou uma base de dados histórica para a região. “Podemos buscar por padrões ao longo do tempo. Por exemplo, se vemos uma tendência de crescimento das fêmeas é porque a população está ficando mais velha ou se elas estão pequenas isso indica um recrutamento de fêmeas jovens para a reprodução”, aponta Ana Júlia.

Análises preliminares também apontam para resultados importantes das ações de proteção às praias. “Os dados de recaptura são interessantes para as tartarugas-da-Amazônia,  principalmente porque a população da espécie na Reserva Mamirauá é reduzida. No período de monitoramento temos registrado recapturas de fêmeas em anos consecutivos, o que mostra que a área do Horizonte é muito importante e que as fêmeas estão retornando para aquela área protegida para desova”, comenta Ana Júlia.

Pesquisadores também acompanham ações fora da Reserva Mamirauá

No final de 2014, pesquisadores do Instituto Mamirauá também acompanharam, a convite do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a soltura de quelônios na Floresta Nacional de Tefé (Flona Tefé). Comunidades da área de conservação e entornos desenvolvem projetos de conservação de quelônios e proteção de praias de desova no local.  Vanielle Vicente, pesquisadora do Instituto Mamirauá, reforçou que a ação “já acontece na Flona Tefé há 3 anos. O interesse em desenvolver o projeto se deu por parte dos comunitários, pois perceberam que não havia mais desova de quelônios em suas áreas. Com isso, tiveram a iniciativa de coletar ovos e transferir para chocadeiras, um cercado feito de madeira onde os ovos são incubados na areia, feitas pelos comunitários em cada comunidade que estava participando da atividade”.

Texto: Vanessa Eyng

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