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Dona Maria do Socorro: mulher, mãe, estudante e pescadora

Escrito por

Eunice Venturi

Publicado em

30/06/11

 30/06/2011 – Integrante de uma associação localizada no município de Itacoatiara, médio Amazonas, distante cerca de 180 quilômetros de Manaus, dona Maria do Socorro Rodrigues da Silva viajou aproximadamente 950 quilômetros para chegar em Tefé (AM) e participar do Curso de Gestão Compartilhada dos Recursos Pesqueiros, promovido pelo Instituto Mamirauá. De formação, ela diz ter cursado a “faculdade da roça” e atualmente é Coordenadora do Acordo de Pesca da Associação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Artesões do Rio Arari (Asta), a única instituição do Estado do Amazonas a promover um acordo de pesca para manejo de pirarucu fora de unidade de conservação. Para relatar essa experiência, que mistura maternidade e cidadania, dona Maria falou ao site Mamirauá.

De que forma a senhora contribui com o desenvolvimento da sua região?
Eu trabalho com o movimento de mulheres desde 1997 quando ajudei a criar o Movimento de Mulheres no Estado do Amazonas. Até 2006, eu fiquei na coordenação nacional, depois eu sai da nacional por conta do estudo, voltei a estudar. A gente se reúne e cada uma fala dos problemas do município, da questão ambiental, da preservação de lagos, das unidades de conservação, saúde, educação. Mas esse envolvimento já veio da educação que recebi de meus pais, que sempre trabalharam por suas comunidades.

E como a senhora concilia com a família, marido, filhos?
Meu marido é líder sindical. Isso ajuda bastante. Mas houve um momento que precisei me distanciar para cuidar dos meus seis filhos. Agora eles estão grandes, formados, então posso voltar às atividades normais. Quando a gente – ela e o marido – resolveu formar uma família, a gente criou esse acordo, que nós continuaríamos trabalhando pela comunidade. Sempre com muita dificuldade para vencer as barreiras.

Quais, por exemplo?
A gente não tinha condições de colocar os filhos para estudar em Manaus. Aí a gente ficava vendo os outros irem estudar fora. Aqueles que ficaram iam para a prostituição, ou para o mundo das drogas e era uma coisa muito difícil. Mas a gente sempre conversava bastante com os filhos em casa. Depois a gente conseguiu que eles estudassem em Manaus. Hoje, 3 já estão formados na faculdade.

Como iniciou a experiência da instituição com manejo de pesca?
Na verdade, foi a escassez de pescado que nos levou a implantar o manejo de pesca. Depois, com o aumento da população de pirarucu na área onde a gente trabalhava, nós começamos a juntar o Ibama e a Ufam para fazer o levantamento e o monitoramento do método de contagem dos bichos. Aí nós acabamos descobrindo que já existia uma boa população de animais e que daria para fazer manejo. A partir daí o Ibama começou a fazer as liberações, por meio de cotas. Hoje nós somos duas comunidades dentro da região do Arari que trabalha com o manejo.

E quando o manejo foi implantado?
O manejo comunitário existe desde 1993. Mas ele institucionalizou-se a partir de 2008, também com apoio do INPA, do IPAAM e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Sustentável. Depois de cinco anos de estudos, nós criamos uma minuta que foi aprovada e, em 2008, publicada.

Quantas pessoas trabalham com o manejo?
São cerca de 30 pessoas na comunidade São João do Araçá e 20 no Lago do Babaçu.

A senhora tem uma estimativa de renda média para as pessoas que trabalham com o manejo?
Não. No momento não. Ontem, na minha apresentação, eu colocava que eu identifiquei várias coisas que a gente precisa melhorar ainda, vendo essa experiência em Mamirauá. Mas com os recursos do manejo nós doamos uma parte para a Igreja Católica e outra parte nós já construímos um flutuante que serve de base de apoio para as pessoas que fazem a vigilância, principalmente na seca que é quando o pessoal ataca mais, o peixe fica totalmente isolado, então a gente construiu esse flutuante e aí a outra parte a gente custeia as despesas com manutenção de uma lancha que a gente ganhou da Fundação Banco do Brasil, além do investimento em algumas capacitações.

Como a senhora acredita que o manejo de pirarucu desenvolvido nas Reservas Mamirauá e Amanã pode contribuir com a atividade que vocês desenvolvem em Arari?
Eu acredito que uma das contribuições é na questão dos cursos e do desenvolvimento de pesquisas, dos estudos, porque é uma dificuldade muito grande que a gente tem. Eu fico observando a questão da metodologia e do plano de gestão, que nós ainda não temos lá. Mas nós só poderíamos ter se a área se tornasse unidade de conservação, o que seria bom, pois os órgãos ambientais atuariam mais em nossa região.
por Eunice Venturi

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