Conheça as histórias de mulheres que fazem parte do instituto e impulsionam
ações socioambientais na região amazônica
Amazônia, palavra feminina. No
Instituto Mamirauá, o protagonismo feminino é uma força vital para a
conservação ambiental, a promoção da bioeconomia e o fortalecimento das
comunidades locais.
Mulheres como a arqueóloga
Geórgea Holanda, a socióloga Tharyn Machado e a coordenadora de logística
Franciete Lima desempenham papéis fundamentais, conectando seus conhecimentos,
talentos e áreas de especialidade com a missão do Instituto de integrar
ciência, ancestralidade e desenvolvimento sustentável na região amazônica.
Geórgea Holanda: conectando o passado e o presente de mulheres na
Amazônia

Crédito: Julia Rantigueri
Arqueóloga no Instituto
Mamirauá, Geórgea Holanda dedica-se ao resgate e à valorização da história
milenar da ocupação humana na Amazônia, um campo frequentemente invisibilizado
pela narrativa tradicional. Em seu trabalho de pesquisa, ela analisa artefatos
arqueológicos, como cerâmicas, um fazer ancestral, desenvolvido e praticado por
mulheres da região ao longo de gerações.
“Na história colonial,
muitas vezes não aprendemos sobre as mulheres que produziam cerâmica na
Amazônia, um ofício extremamente difícil, que a gente
chama de cadeia operatória, o modo de fazer a cerâmica“, explica
Geórgea. Ela destaca que, ao investigar essas práticas por meio de fragmentos de
cerâmica encontrados em campo, é possível conectar o passado das mulheres
amazônicas ao presente. “A arqueologia tem o poder de contar histórias que
a história oficial omite, trazendo essas mulheres do passado para o
presente”, comenta.
Além da cerâmica, Geórgea também
enfatiza a importância do papel das mulheres na domesticação de plantas, como a
pupunha, e no manejo de diversas espécies da floresta amazônica. “Essas
mulheres foram responsáveis por domesticar e melhorar geneticamente várias
espécies que hoje fazem parte da nossa alimentação, como o açaí, a farinha e o
cacau”, ressalta, reconhecendo o valor da contribuição feminina para a sociobiodiversidade
da Amazônia.
Tharyn Machado: valorização e visibilidade das mulheres no manejo e
conservação

Crédito: Julia Rantigueri
Para Tharyn Machado, socióloga e pesquisadora
no Instituto Mamirauá, trabalhar na Amazônia é, ao mesmo tempo, desafio e oportunidade.
Há três anos, ela desenvolve uma pesquisa focada nas relações de gênero e na
participação das mulheres na governança socioambiental dentro de Unidades de
Conservação, especialmente na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no estado do Amazonas.
Tharyn busca entender como
mulheres amazônidas se relacionam com as dinâmicas de organização desses
espaços e como estão inseridas em práticas de manejo florestal e turismo
sustentável na região.
“Apesar dos desafios, temos
identificado um grande potencial de organização entre as mulheres da Amazônia,
mesmo que esse papel não tenha sido amplamente reconhecido na literatura”,
explica a pesquisadora. Ela observa que, por meio de sua pesquisa, tem se
esforçado para dar visibilidade a essas mulheres e ajudá-las a conquistar maior
participação nas decisões sobre o manejo de recursos naturais.
“A pesquisa pode contribuir e provocar ações voltadas para que se
estabeleçam novas políticas públicas que deem condições para a participação
dessas mulheres“, afirma.
Nascida
em Parintins (AM), Tharyn ressalta que ser uma
mulher pesquisadora na Amazônia é um desafio, “porque é estar num lugar
e ao mesmo tempo estranhar o meu lugar. Mas é também fascinante, e ter um
espaço como o Instituto Mamirauá, que incentiva mais pesquisas voltadas para
essa temática, é muito especial. Sobretudo, é muito gratificante poder contribuir
com a produção de conhecimento social na Amazônia”.
Franciete Lima: liderança na logística e infraestrutura do Instituto
Mamirauá

Crédito: Julia Rantigueri
Franciete Lima, coordenadora de
Infraestrutura e Logística do Instituto Mamirauá, tem um papel essencial na
manutenção das bases de pesquisa e na coordenação das atividades logísticas que
são fundamentais para o funcionamento das pesquisas e projetos de manejo em
campo.
Com 15 anos de experiência na
instituição, Franciete lidera uma equipe de 40 pessoas entre a sede e a base de
apoio logístico, localizadas em Tefé (AM), e 7 bases de pesquisa situadas em 3 Unidades
de Conservação na Amazônia, garantindo que as condições para as equipes de
trabalho em campo sejam adequadas e seguras.
“É um trabalho desafiador,
mas muito gratificante. Conseguimos manter a infraestrutura funcionando e
atender às necessidades dos pesquisadores e técnicos”, afirma. “Temos uma
equipe muito engajada, bem comprometida e isso me dá muita segurança para as
tomadas de decisões dentro da coordenação”.
“No
Instituto, acreditamos que a sustentabilidade acontece por meio de parcerias e
compromisso com a equidade e o protagonismo feminino,
construindo junto com a instituição soluções responsáveis para o meio ambiente
e para as comunidades. Juntos e juntas, transformamos o presente e inspiramos o
futuro“, diz Franciete, reforçando o papel das mulheres no
desenvolvimento sustentável da região.
Protagonismo feminino no Instituto Mamirauá: equidade, liderança e
impacto
O trabalho de Georgea, Tharyn e
Franciete reflete a missão do Instituto Mamirauá de promover a sustentabilidade
e a conservação ambiental na Amazônia, com ênfase no empoderamento de
comunidades da região e no desenvolvimento de soluções inovadoras e
sustentáveis.
Atualmente, 53% das pessoas que
trabalham no Instituto Mamirauá são mulheres. Na frente da pesquisa científica, 65% das
bolsas de investigação são ocupadas por mulheres cientistas, evidenciando a
centralidade do fazer feminino nas atividades desenvolvidas pela organização.
Além disso, 57% das posições de
liderança dentro da instituição são exercidas por mulheres, o que demonstra não
só o comprometimento com a diversidade de gênero, mas também o impacto positivo
da presença feminina nas decisões estratégicas e operacionais.
Esses números ilustram a força
das mulheres na organização e reforçam a missão do Instituto Mamirauá em
promover uma atuação colaborativa e inclusiva, onde as mulheres ocupam espaços
de destaque e liderança em diversas áreas da ciência e da gestão socioambiental.