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Com mais de dez modelos de tecnologias sociais, Instituto Mamirauá busca a ampliação para outras localidades

Escrito por

Amanda Lelis

Publicado em

03/10/16

Desde o início de sua atuação na região do Médio Solimões, o Instituto Mamirauá – unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações – experimenta tecnologias para a melhoria da qualidade de vida das populações ribeirinhas. Muitos modelos foram instalados e testados como projetos piloto. Após atestar a eficácia de alguns desses projetos, o desafio dos técnicos e pesquisadores é estender as iniciativas para outras regiões.

Ana Claudeise do Nascimento, socióloga e pesquisadora do Instituto Mamirauá, ressalta que a tecnologia social é desenvolvida a partir da detecção de demandas locais. Como é o caso da dificuldade de acesso à água potável ou à energia elétrica pelas comunidades ribeirinhas das Reservas Mamirauá e Amanã. “Trabalhamos no sentido de experimentar tecnologias que sejam viáveis a localidades rurais que possuem características ambientais e sociais desafiadoras, como a várzea amazônica. O desafio é fazer com que essas tecnologias sociais, que foram testadas e que apresentam resultados significativos de mudanças na vida dessa população rural que não tem acesso à energia elétrica, ou ao abastecimento de água nos domicílios ou ao saneamento básico, possam ganhar escala e se tornarem polí­ticas públicas para a região amazônica”, comentou.

Com o acompanhamento de pesquisadores e técnicos, desde a década de 1990, o Instituto Mamirauá já implementou mais de 13 experiências em ambientes de várzea, alcançando cerca de 50 comunidades ribeirinhas nas duas unidades de conservação. Entre essas iniciativas estão os fogões e fornos ecológicos, a máquina de gelo solar, e sistemas de bombeamento e tratamento de água por energia solar fotovoltaica, laboratório de diagnóstico de malária, sanitários secos, entre outros.

A socióloga relata que, muitas vezes, os setores responsáveis pela implementação desses serviços acreditam que não há modelos que possam atender a essas localidades remotas e em ambiente alagável. “Todos esses experimentos mostram que é possível sim levar energia para uma comunidade rural, é possível levar água encanada para uma comunidade rural, só não podemos seguir o modelo convencional dos centros urbanos, é preciso encontrar formas de adaptação desse modelo, que atendam essas demandas locais”.

Para que a tecnologia social alcance o objetivo ao qual é proposta, Claudeise afirma que é necessário o envolvimento de uma rede de atores, composta por organizações da sociedade civil, universidades e instituições de ensino e pesquisa e principalmente o envolvimento da população local.  “Para você ter sucesso na implementação de qualquer empreendimento que envolva a melhoria das condições de vida do usuário, de uma forma geral, você precisa incluir e considerar esses elementos: sociedade, tecnologia e ciência. Mas a conclusão dessa reflexão é que a comunidade não pode ser vista como um ator separado do processo, ela precisa ser inserida desde o início”, contou.

Para concluir que uma iniciativa é bem-sucedida, os pesquisadores avaliam alguns indicadores, como a apropriação da tecnologia social pelos usuários. Após a implementação, a comunidade é responsável pela gestão local do sistema. Uma das iniciativas que demonstraram bons resultados foi o sistema de bombeamento de água movido por energia fotovoltaica, adequado a áreas alagadas.  Atualmente, 16 comunidades ribeirinhas das Reservas Mamirauá e Amanã já gerenciam o sistema, que beneficia cerca de 1.500 pessoas, com o uso de água filtrada ou pré-filtrada nas suas atividades diárias. O projeto venceu o Prêmio Finep de Inovação 2012, na categoria Tecnologia Social.

O sistema atende as necessidades de abastecimento de água de localidades situadas muito próximas ao rio, onde é inviável a instalação de poços artesianos em função das questões ambientais da região. Painéis fotovoltaicos são colocados no rio, sobre balsas flutuantes, e para gerar energia e bombear a água para um reservatório elevado. A caixa d’água é conectada a um filtro de areia que realiza um pré-tratamento da água e a remoção de resíduos. Após a filtração, usando um filtro lento, a água é distribuída por gravidade para a comunidade. Na comunidade, cada domicílio conta com um ponto de fornecimento, recebendo a água que poderá ser consumida pelas famílias após a desinfecção, seja pelo uso de cloro ou por fervura.

Conheça a página do Instituto que reúne informações sobre algumas dessas tecnologias sociais.

Texto: Amanda Lelis

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