©Red Bioamazonia/Sinchi

Ciência amazônica na tríplice fronteira: Mamirauá marca presença na III Reunião Anual da Rede Bioamazônia

Escrito por

Instituto Mamirauá

Publicado em

13/05/26

Instituto Mamirauá debate, juntamente com pesquisadores de cinco países, soluções para os principais conflitos e ameaças ao bioma, da contaminação por mercúrio às mudanças climáticas para construir uma agenda estratégica comum em defesa da Amazônia.

A III Reunião Anual da Rede Bioamazônia é um encontro que reúne institutos de pesquisa, pesquisadores e especialistas da região para trabalhar de forma colaborativa sobre os principais desafios enfrentados pela Amazônia, e está acontecendo até dia 15 de maio, na cidade de Leticia, na tríplice fronteira amazônica entre Colômbia, Brasil e Peru. 

Organizada na sede do Instituto Amazônico de Pesquisas Científicas (SINCHI), esta edição coloca em destaque a contribuição da ciência para compreender e enfrentar as crescentes pressões sobre o bioma, a partir de uma perspectiva regional e colaborativa. A reunião ocorre em um ambiente particularmente significativo: a bacia do rio Amazonas, um sistema fundamental para a regulação climática global, a conservação da biodiversidade e a conectividade ecológica do continente.

A III Reunião Anual retoma e aprofunda o caminho iniciado no encontro anterior, realizado em Iquitos, consolidando um espaço de trabalho entre instituições científicas que compartilham agendas e desafios comuns. Ao longo da semana, além da abordagem técnica dos temas que afetam a região, a Rede avançará em sua agenda interna, revisando progressos, alinhando prioridades e definindo orientações estratégicas para fortalecer a cooperação entre seus membros. O encontro conta com apoio técnico e financeiro do Programa Amazônia Sempre, do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Conflitos e Ameaças na Pan-Amazônia

Na Amazônia, vivemos um momento crítico de transformações socioambientais aceleradas, em que a convergência de múltiplas pressões , como o desmatamento, as mudanças climáticas, as atividades extrativistas e a degradação dos ecossistemas , pode levar a limiares ecológicos irreversíveis, a conflitos cada vez mais complexos na região e até mesmo a impactos em escala global, dada a relevância do ecossistema amazônico.

Por ameaças, entendemos aquelas atividades que geram mudanças ambientais negativas nos ecossistemas, seja por meio de processos formais, como a expansão da fronteira agrícola, ou por práticas ilegais, como a mineração informal. Por conflitos, entendemos as disputas ativas — muitas vezes violentas — entre atores com interesses divergentes sobre o uso, o controle e a proteção dos recursos naturais. Ambas as dimensões se retroalimentam, criando espirais de degradação ambiental e vulnerabilidade social. As ameaças transformam as paisagens; os conflitos reconfiguram os territórios. Essa dupla crise desafia a capacidade de resposta dos Estados e coloca à prova os marcos de governança socioambiental existentes.

Nessa perspectiva, levando em conta a importância da ação conjunta e integrada do território para compreender e propor caminhos para enfrentar desafios de alta complexidade, a Rede Bioamazonia escolheu como tema central deste encontro e tema de seu evento inaugural “Conflitos e Ameaças na Pan -Amazônia: contribuições da ciência para a sustentabilidade do bioma”, reunindo diversas vozes especializadas para compor um panorama abrangente dos diferentes conflitos e ameaças que afetam a região, onde abordaremos aspectos como: o desenvolvimento hidrelétrico na Amazônia e a energia limpa; impactos das mudanças climáticas; contaminação por mercúrio; espécies migratórias; perda de conhecimentos tradicionais; incêndios e manejo integrado do fogo; e comércio de espécies amazônicas (legal x ilegal).

Cada um dos temas será apresentado por pesquisadores especialistas durante o painel técnico de abertura, onde serão compartilhados uma visão geral, os principais aspectos e dados - chave que servirão de base para a discussão.

Sobre a Rede Bioamazônia

A Rede Bioamazônia é um instrumento regional que reúne 8 institutos científicos de 5 países do bioma amazônico, somando mais de 1.000 pesquisadores especialistas: Bolívia, pelo Instituto de Ecologia da Universidade Maior de San Andrés (IE/UMSA); Brasil, pelo Instituto Mamirauá, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e pelo Museu Paraense Emílio Goeldi; Colômbia, pelo Instituto de Pesquisa de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt (HUMBOLDT) e pelo Instituto Amazônico de Pesquisas Científicas SINCHI (SINCHI); Equador, pelo Instituto Nacional de Biodiversidade (INABIO) e Peru, pelo Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP).

A missão é integrar e fortalecer as capacidades de seus membros, promovendo a geração e o intercâmbio de conhecimentos sobre a conservação e o uso sustentável da biodiversidade, e o desenvolvimento de soluções inovadoras para a bioeconomia amazônica.

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