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Ausência de dados populacionais dificulta entendimento sobre real impacto da pesca da piracatinga

Escrito por

Amanda Lelis

Publicado em

21/10/14

A carência de dados demográficos de botos e jacarés dificulta o entendimento sobre os reais efeitos da pesca da piracatinga sobre as populações dessas duas espécies. Esse é um dos principais pontos destacados no documento “A mortalidade de jacarés e botos associada à pesca da piracatinga na região do Médio Solimões – Amazonas, Brasil“, publicado recentemente pelo Instituto Mamirauá.

A Amazônia possui um extenso e complexo sistema de rios, com mais de 100.000 km de cursos d´água que se estende por nove países. Somando isso às dificuldades para se fazer a mensuração de vida aquática, ainda não se pode afirmar os efeitos negativos dessa atividade pesqueira na dinâmica populacional de botos e jacarés na Amazônia, especialmente considerando dados restritos a uma pequena área de análise.

De acordo com Miriam Marmontel, líder do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto Mamirauá, “é muito difícil falar sobre o risco de extinção quando não se tem todas as variáveis necessárias para alcançar essa estimativa, como a abundância populacional, os parâmetros reprodutivos, o nível de mortalidade e outros dados”.

Miriam ressalta ainda que “existe uma gama de possibilidades de mortalidade de botos não necessariamente associada à pesca da piracatinga, existe a mortalidade natural, a mortalidade por emalhe acidental em redes de pesca, além do desaparecimento de animais das áreas de estudo, que pode ser apenas pelo deslocamento”.

Desde 2012, o Instituto Mamirauá realiza expedições ao longo de diversas bacias da Amazônia com o objetivo de documentar a distribuição e se obter a densidade e abundância de botos vermelhos (Inia geoffrensis) e tucuxis (Sotalia fluviatilis) na região. O levantamento dessas informações é fundamental para o desenvolvimento de estratégias de conservação dessas espécies.

Somando as expedições realizadas também por parceiros, (WWF, WCS, WDCS, Fundação Omacha/Colômbia, Faunagua/Bolívia, entre outros) já foram promovidas mais de 15 campanhas desse tipo na América do Sul. Até o momento, foram registrados mais de 8.000 golfinhos fluviais amazônicos, de quatro espécies diferentes, e percorridos mais de 6.500 km nos principais rios da Amazônia. Esse esforço visa cobrir outras bacias para comparar como estão as densidades dos botos nos diferentes cursos d’água.

Desde 2003, o Instituto Mamirauá acompanha a pesca da piracatinga na região do Médio Solimões, desenvolvendo pesquisas afim de registrar os diferentes aspectos da atividade, como o envolvimento das comunidades tradicionais e a estruturação da sua cadeia produtiva.

Para avaliar os possíveis impactos dessa atividade e a utilização de jacarés e botos como isca, é importante que sejam considerados os fatores ambientais e econômicos, bem como os sociais.  Além das expedições para se obter a estimativa populacional de botos, o Instituto também tem se dedicado a outros estudos, como o aprofundamento da análise sobre a pesca e desembarque da espécie no mercado de Tefé (AM), a dinâmica populacional da piracatinga e sua biologia reprodutiva.

Texto: Amanda Lelis

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