Maior especialista em onças do paÃs morreu no último domingo, 25, vÃtima da covid-19
Neste fim de semana recebemos a triste notÃcia do falecimento do biólogo Peter Crawshaw Jr., pioneiro no estudo da onça-pintada no Brasil. Criado no Rio Grande do Sul, o paulista de nome importado dedicou 44 anos à conservação do felino, que até então não passava de um estranho para nós.
Peter abriu caminho, inspirou e formou gerações de pesquisadores, ajudou a fundar as mais relevantes organizações de apoio à pesquisa e conservação da onça-pintada no paÃs e trabalhou nos principais órgãos federais de meio ambiente. Mas quem o conheceu sabe que seu maior legado foram a generosidade com que transmitia seu conhecimento, sua amizade e sua alegria. Ele era um observador nato, um biólogo do mato, um apaixonado pela natureza, extremamente dedicado às atividades de campo, e fazia questão de transmitir suas histórias e o conhecimento que adquiria da convivência com as onças a todos que estivessem dispostos a aprender.
Um aventureiro, Peter sobreviveu à mordida de onça, queda de ultraleve, sequestro e acidente de barco, mas não resistiu à covid-19. Apesar de ter vivido intensamente, para quem fica, a sensação é de que nos deixou cedo demais.
Peter Crawshaw e seu mentor, o alemão George Schaller, estiveram em Mamirauá em 2014 para conversar sobre a conservação das onças-pintadas na região e conhecer o trabalho do Instituto, que conduz o único monitoramento de longo-prazo de onças-pintadas na Amazônia Brasileira. Schaller e o fundador do Instituto Mamirauá, José Márcio Ayres, eram amigos desde os anos 1970, mas Ayres já havia falecido quando ele e Crawshaw finalmente puderam visitar Mamirauá.
Mamirauá, setembro de 2014. Da esquerda para a direita: Emiliano Ramalho, George Schaller, Wezddy del Toro, Peter Crawshaw Jr. e Cláudia Campos.