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Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá

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Rafael Forte

Pescadores e técnicos avaliam desempenho do manejo de pirarucus no Médio Solimões, Amazonas, em 2018

04/02/2019


Avaliações fazem parte da estratégia do manejo participativo de pirarucu, atividade sustentável realizada na região há mais de vinte anos

No dia 14 de janeiro, um barco com técnicos e pesquisadores do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamiráua saiu da cidade de Tefé, Amazonas, rumo às Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã. As paradas já estavam marcadas. Comunidades de São Raimundo do Jarauá, Santa Maria, Ponto X, Joacaca, Curupira, São Paulo, Várzea Alegre, Calafate, Pantaleão, Jurupari, São Francisco do Capivara e o município de Maraã.

A cada parada, um grupo de manejadores estava a espera para realizar a Reunião de Avaliação do Manejo de Pirarucu. Foram 13 reuniões, uma em cada grupo assessorado pelo Programa de Pesca do IDSM, e 16 dias de trabalho, envolvendo cerca de 1.000 participantes no total. 

A reunião de avaliação discute o trabalho desenvolvido por cada grupo de manejadores no ano anterior. É uma exigência da metodologia do manejo sustentável da espécie.

“Manejo envolve diversas atividades, que vão desde a realização de reuniões periódicas para definição de regras e acordos de uso e planejamento dos trabalhos, passando pelas rondas de vigilância para proteção da área; a contagem do estoque de pirarucu; a captura e o monitoramento da cota de pescado autorizada pelo IBAMA; a comercialização da produção; a distribuição dos ganhos provenientes da pesca com todos os envolvidos no projeto; finalizando com a prestação de contas e a avaliação anual das atividades” reforça Ana Cláudia Torres, coordenadora da Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá. “Neste sentido, a reunião é indispensável para encerrar o ciclo de um ano e iniciar o planejamento do ano seguinte, o que inclui a definição do pedido de cota”.

Para Maria Luciete da SIlva Pereia, integrante do Acordo de Pesca Paraná Velho, a reunião é um momento de reflexão e aprendizado. Na reunião que ocorreu na comunidade do Calafate, no último dia 26, Maria Luciete ficou bastante satisfeita.

“Os resultados de nosso trabalho em 2018 foram bem positivos. E para 2019 eu espero que melhore ainda mais para o nosso acordo”, afirma. Maria Luciete trabalha no monitoramento do peixe e no processo de evisceração do pirarucu. No Acordo do Paraná Velho essa etapa do manejo é sempre muito bem executada e envolve um grupo de mulheres bastante atuante. 

Na comunidade Jurupari, já no dia 28 de janeiro, a reunião foi com o Acordo de Pesca do Jurupari. Esse grupo realizou a pesca manejada pela primeira vez em 2018. A primeira cota foi experimental, resultado de um trabalho iniciado no ano de 2014.  

E para fechar as atividades e retornar para a cidade de Tefé, a última parada foi na comunidade do São Francisco do Capivara. Ali a reunião aconteceu com os manejadores do Acordo de Pesca do Capivara.
 

“Depois de todas essas reuniões a equipe do Programa de Pesca do Instituto Mamirauá tem um panorama do nível organizacional dos grupos, suas potencialidades e fragilidades em cada atividade do manejo, e consegue estabelecer um calendário de ações visando o seu fortalecimento. As informações decorrentes do acompanhamento técnico foram verificadas, o que torna possível a conclusão do relatório anual a ser encaminhado ao IBAMA e à SEMA no final de fevereiro de 2019”, considera Ana Cláudia.

O Instituto Mamirauá é uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e oferece, desde os anos 1990, assessoria técnica a grupos de pescadores e associações que trabalham com o manejo de pirarucu.

Oportunidade para conhecer o aplicativo Ictio

Durante essas reuniões também foi possível conversar sobre o projeto Ciência Cidadã para a Amazônia. Alguns grupos tiveram a chance de conhecer o aplicativo Ictio pela primeira vez. Outros, que vem trabalhando com o aplicativo, puderam avaliar o seu trabalho e os resultados que já foram alcançados.

“Foi possível divulgar as ações do projeto Ciência Cidadã para a Amazônia e também mostrar o trabalho que vários grupos de usuários já têm feito com o aplicativo Ictio, destacando o potencial que essa ferramenta tem. Os grupos de manejadores que participaram dessas reuniões já têm em sua rotina a necessidade de realizar o registro da pesca manejada. Nesse contexto, o Ictio pode ser uma ferramenta importante para o monitoramento de mais atividades de pesca, que complementam a renda dessas famílias ou garante a alimentação diária”, avalia Vanessa Eyng, analista de pesquisa do Instituto Mamirauá.

Na reunião que ocorreu no dia 24 de janeiro, na comunidade São Paulo, com o Acordo de Pesca do Coraci, quem apresentou o projeto foi José da Silva. José faz parte do Acordo de Pesca desde 2018 e também é Agente Ambiental Voluntário. Ele mora na comunidade São João do Ipecaçu e está usando o Ictio desde agosto de 2018. Para ele, o aplicativo pode ajudar muito no trabalho do manejo. “Para a Associação de Produtores de Setor Coraci, a APSC, ter informações sobre o pescado que tem no setor é muito importante para a divulgação do nosso trabalho. Então a gente tem que participar! ”, ressalta José.

Para quem conheceu o aplicativo pela primeira vez, a novidade foi boa. “Esse aplicativo é uma coisa boa. Nós queríamos uma coisa assim para o nosso grupo. Podemos registrar nossa pesca e mostrar em quais locais esse trabalho é feito”, comenta Joãozinho Figueroa da Silva, Agente Ambiental Voluntário e Integrante do Acordo de Pesca do Jurupari - Apara.  

O projeto Ciência Cidadã para a Amazônia é resultado do trabalho associado da Wildlife Conservation Society (WCS) em parceria com Cornell Lab of Ornithology, Florida International University, Conservify, Instituto Mamirauá, Instituto del Bien Común, San Diego Zoo Global, Fab Lab Perú, Ecoporé, Sapopema, Universidad San Francisco of Quito, Rainforest Expeditions, Fundação Universidade Federal de Rondônia, Institut de Recherche pour le Développement, Universidad de Ingeniería y Tecnología, Instituto Sinchi, ACEER, CINCIA, ProNaturaleza, Instituto de Investigaciones de la Amazonía Peruana, Institute for Global Environmental Strategies, Earth Innovation Institute, FAUNAGUA, e Fundación Omacha.

Também, colabora com redes como a Iniciativa Águas Amazônicas, o Projeto Amazon Fish, Rios Vivos Andinos, Amazon Dams Network e International Rivers. O projeto é possível graças ao apoio da Fundação Gordon e Betty Moore.

Texto: Vanessa Eyng

 

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