Instituto Mamirauá - Conservação na Amazônia - Uma preciosidade de liderança comunitária - https://mamiraua.org.br/pt-br/comunicacao/noticias/2017/12/3/uma-preciosidade-de-lideranca-comunitaria/

Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá

Notícias

Rafael Forte

Uma preciosidade de liderança comunitária

03/12/2017

Amanda Lelis

Tá lembrado do Seu Luiz, o caminhoneiro? E lembra que ele falou que a Amazônia é tão preciosa quanto a família da gente? Então, apresentamos Filomena Maria Nunes de Freitas, esposa do Seu Luiz. Filomena é, então, muito preciosa. Mas ela não é preciosa somente para o Seu Luiz, também é para a comunidade Boa Esperança. Atualmente, Filó, como é mais conhecida, é coordenadora do grupo de mulheres e uma das líderes da Unidade de Beneficiamento de Polpa de Frutas, reformada recentemente pela comunidade e pelo Instituto Mamirauá em Boa Esperança, com apoio da Prefeitura de Maraã. A unidade tem por objetivo desenvolver uma experiência piloto na Amazônia para o acondicionamento de polpas de frutas utilizando um sistema de captação de energia solar e de abastecimento de água.

A instalação da unidade vai trazer melhorias para os produtores da comunidade, pois grande parte da produção de frutas é desperdiçada, em função das dificuldades de transporte para a cidade ou de armazenamento na própria comunidade. A iniciativa tem por objetivo gerar renda e melhorar a qualidade de vida dessa população. A viagem para Tefé é feita, geralmente, de canoa com pequeno motor e pode durar até 10 horas, dependendo da época do ano e do fluxo do rio. A alta temperatura da região e o modelo de transporte levam a uma perda rápida da produção agrícola.

“Antes da unidade, a maioria do cupuaçu que a gente pegava estragava. E a gente cortava a polpa com a tesoura, doía muito e cansava também. Agora não, rapidinho a gente faz muita polpa”, diz Filó, sempre sorridente. A líder comunitária afirma que a safra nem foi muito boa, mas os três freezers já estão cheios. Os planos do grupo de mulheres também envolvem doces e outras delícias que poderão ser feitas com as polpas, tanto de cupuaçu, como de açaí. “Estamos pensando em doces, balas e geleias. A ideia é aproveitar tudo, gerar mais renda e trazer mais benefícios para a comunidade. O que eu espero é que melhore cada vez mais”, conta Filó, acrescentando que as reuniões sobre a unidade trazem outro benefício coletivo: “Eu gosto quando a gente está junto. A gente conversa, a gente se diverte”.

Texto originalmente produzido para o livro “Protagonistas: relatos de conservação do Oeste da Amazônia”, que pode ser baixado em mamiraua.org.br/protagonistas. Desenvolvido no âmbito do projeto “Mamirauá: Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade em Unidades de Conservação” (BioREC) e conta com recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Texto: Eunice Venturi

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