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Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá

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Rafael Forte

Pesquisadores registram a maior fêmea reprodutora de jacaré-açu

23/11/2012

Igor J. Roberto

 

23/11/2012 - Há cinco anos, pesquisadores do Instituto Mamirauá realizam pesquisas sistemáticas sobre as espécies de jacarés que habitam nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, no noroeste do Amazonas. Entre os meses de outubro a janeiro, durante a estação seca, cientistas e seus assistentes caminham mata adentro em busca dos locais de nidificação das fêmeas de jacaré-açu e jacaretinga. Este ano, durante o monitoramento de áreas de nidificação, a equipe conseguiu capturar para análises a maior fêmea reprodutora de jacaré-açu registrada até agora.

A fêmea mediu 2,91 metros, com peso de 74 quilos. O registro foi feito no início de outubro: a equipe a encontrou na borda de um lago, perto do ninho, onde havia 32 ovos (na última temporada de reprodução, o tamanho médio das ninhadas foi de 28,6 ovos). Além de proteger o ninho, a fêmea cuidava também de filhotes, provavelmente suas crias, nascidas no ano passado.

Para o biólogo Robinson Botero-Arias, pesquisador do Instituto Mamirauá que coordena os estudos sobre jacarés do projeto Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert), o registro desta fêmea reprodutora é um sinal positivo. Segundo o biólogo, fêmeas maiores são mais velhas e, possivelmente, mais adaptadas ao ambiente, com mais chances de gerar filhotes saudáveis e protegê-los de ameaças naturais, garantindo que mais jacarés cheguem à idade reprodutiva.

"Esse dado nos ajuda a conhecer o estado da população reprodutiva. As pesquisas têm demonstrado que as populações de jacarés na Reserva Mamirauá estão maduras, estáveis e se adaptaram bem à forte pressão de caça no passado", afirma o biólogo.

Na década de 40, o colapso da economia da borracha na Amazônia forçou moradores de áreas ribeirinhas a buscar novas alternativas econômicas. Entre as alternativas, surge o comércio de peles e, posteriormente, carne de jacarés. Em 1967, a caça de espécies silvestres foi proibida no Brasil e, com o fortalecimento do movimento ambientalista nas décadas de 1970 e 1980, a procura pelos subprodutos de jacarés diminuiu. O jacaré-açu, considerado até os anos 1990 como ameaçado de extinção, hoje é classificado por órgãos de proteção ambiental como espécie que corre baixo risco de desaparecer da natureza, mas que depende de programas de conservação.

 

Como funciona o monitoramento de ninhos de jacarés

As atividades de monitoramento incluem a observação de fatores ambientais do local de nidificação e algumas características do ninho, como temperatura e número de ovos.

Com o auxílio de moradores locais, os pesquisadores percorrem as bordas de lagos e canos na floresta, caminhando em áreas que permanecem alagadas durante metade do ano. O objetivo é monitorar pequenos lagos no interior da mata. Ao redor destes lagos é que as fêmeas de jacaré costumam montar os ninhos, juntando material vegetal disponível nas bordas.

Ao localizar uma fêmea protegendo um ninho, a equipe de pesquisa laça o animal e o imobiliza. Nesse momento são realizadas avaliações gerais sobre as condições físicas da fêmea, além do registro de 30 dados biométricos, que incluem peso, comprimento, e frequências cardíaca e respiratória. Os pesquisadores também coletam sangue para dosagem de glicose e hormônios, e tecido para análises genéticas. Também é feito o registro do tamanho e peso dos ovos, além da avaliação do estágio de desenvolvimento dos embriões, que é feita pela observação direta da mancha opaca, sobre o ovo. Este trabalho dura, em média, 20 minutos e a fêmea é solta imediatamente.

As pesquisas sobre jacarés nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã recebem o patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Ambiental.

 

Texto: Augusto Rodrigues

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