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“Temos que buscar conhecimento e nos empoderar”

Escrito por

Laís Maia

Publicado em

07/02/18

A aldeia indígena de Marajaí fica localizada na região do Médio Solimões, entre o lago de Alvarães e o rio Solimões, no Amazonas. Estima-se que aproximadamente 700 pessoas vivam por ali atualmente. De lá veio o estudante Jone da Silva Oliveira, 25 anos, para frequentar o curso do Centro Vocacional Tecnológico (CVT) do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). O CVT conta com financiamento da Gordon and Betty Moore Foundation. Veja o que ele disse sobre o curso nesta entrevista ao site do Instituto Mamirauá.

O que te motivou a ingressar no curso do CVT?

Eu sempre tive interesse em saber mais sobre temas ligados ao meio ambiente e vi no CVT uma oportunidade de crescer. Com as aulas, as oficinas e as atividades de campo que tivemos durante o ano passado, espero poder ajudar minha comunidade a resolver os problemas que enfrentamos por aqui.

Na reunião de diagnóstico para elaborar seu plano de trabalho, qual foi o principal problema apontado?

Nós vemos o problema da invasão como um dos maiores desafios. É algo que ocorre há muito tempo, provavelmente devido à proximidade com o município de Alvarães, que é ligado ao Marajaí pelo lago. As pessoas procuram nossa região para extrair a castanha e para caçar. Nós também caçamos, mas apenas para subsistência. Os invasores acabam tornando nossos recursos mais escassos porque eles retiram em grande quantidade.

Como você pretende contornar esse problema?

Estou construindo o plano de trabalho, mas o foco principal é informar as pessoas. No Marajaí e em Alvarães, ainda tem muita gente que não sabe o que pode ou não dentro da aldeia. Eu pretendo combater isso. Para isso, considero o rádio como um instrumento importante porque as pessoas ouvem diariamente, além disso, quero procurar parceria com as autoridades. Acho importante esclarecer, também, o que é o Centro Vocacional Tecnológico, o que fazemos aqui e motivar outros jovens a buscarem o conhecimento.

Como você vê o papel da juventude no Marajaí? Você acha que há uma falta de interesse em questões importantes para comunidade?

De modo geral, acho os jovens estão bem desinteressados, muitos envolvidos com bebidas alcoólicas e drogas. Há também a questão da gravidez precoce. Eu quero também poder auxiliar na organização de palestras com essa temática. Elas já acontecem, mas acho que precisamos fazer mais.

Qual foi a maior mudança que o primeiro ano de curso no CVT trouxe e quais são seus planos daqui para frente?

Eu pretendo continuar estudando. Aqui, a gente aprendeu um pouco de tudo e isso abriu minha visão. A maioria da turma não gostava de polí­tica, de se envolver. A gente tinha uma ideia muito fechada sobre polí­tica, achando que não adiantava se envolver. Mas vimos que tudo está ligado à questão polí­tica. Temos que buscar conhecimento e nos empoderar para defender o que estamos buscando.

Texto: Laís Maia

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