“Sou apaixonado pela natureza”, expressa o agricultor Jezuy Tavares Monhoes, ao falar da vida na comunidade Boa Esperança, dos projetos e dos sonhos, sejam eles coletivos ou individuais, ou seja, para a comunidade ou para sua famÃlia. Para ele, que mora a vida toda às margens do Lago Amanã, a agricultura está em primeiro lugar, pois dela ele tira o sustento da famÃlia e, quando vende o produto, ajuda na alimentação dos “brasileiros”. Com assessoria técnica do Instituto Mamirauá, ele vem aprimorando a “receita” para melhorar as técnicas de plantio: “Agricultor não tem receita, mas deveria ter. Com ajuda dos técnicos, a gente vai correndo atrás, fazendo experimentos e melhorando a roça. Com o conhecimento técnico, e o nosso, a gente vai aprimorando a receita. E, assim, fazer experimento, plantar coisa nova, fazer muda nova”.
Jezuy, como vários outros agricultores da região, está em busca do manejo que reduza o uso do fogo para o plantio. Ao empregar o fogo para manejar “roças”, o trabalho acaba sendo mais rápido, mas o solo pode ficar empobrecido caso não deixe a terra descansar entre os perÃodos de plantios. “A diferença é porque o trabalho com o fogo é mais rápido. Exige mais mão de obra quando a roça é feita sem queimar. Mas, em compensação, enriquece o solo, porque a terra não queima, o adubo natural não se perde”.
Outro benefÃcio da implantação da Unidade de Beneficiamento de Polpa de Fruta na comunidade Boa Esperança foi a instalação de um sistema de abastecimento de água. “Foi outro sonho realizado”, afirma com entusiasmo. Instalado por técnicos do Programa Qualidade de Vida do Instituto Mamirauá, o sistema beneficia todas as residências com um sistema de captação de água da chuva e de poço artesiano. Antes, a rotina para ter água em casa exigia ir à beira do lago para fazer atividades domésticas ou para levar água em baldes para as residências. “Todo mundo ficou animado. Melhorou bastante, e agora estamos fazendo banheiro, fazendo fossa, ajeitando o banheirinho, né?”, aponta.
Na agricultura, no contato com os técnicos, no dia a dia, Jezuy vê uma oportunidade de melhorar a organização da comunidade: “O que me motiva é estar organizado. Você não tem nada, mas se você é uma pessoa organizada, acho que você tem tudo. Assim, você tem força, força para lutar junto, em qualquer lugar. Se você estiver junto, unido, você vence. Então, o que mais me motiva é isso, lutar por organização, pela comunidade, por esse setor, porque é onde a gente vive. Não é só para mim, eu também preciso deixar alguém no meu lugar, tem os meus filhos, tem minha famÃlia. Tenho certeza de que eles vão sobreviver aqui na nossa terra também”.