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Ribeirinhos recebem carteirinhas de agentes ambientais na Amazônia

Escrito por

Júlia de Freitas

Publicado em

28/05/19

Agentes Ambientais Voluntários (AAVs) atuam como líderes comunitários e educadores ambientais em comunidades ribeirinhas da região do Médio Solimões, no Amazonas

A educação ambiental mostra-se como uma das mais efetivas ferramenta na conservação da Amazônia. É ainda mais se acontece dentro das centenas de comunidades que vivem da/na floresta amazônica, fonte de sobrevivência de milhares de ribeirinhos. No dia 15 de maio, 73 comunitários passaram a integrar oficialmente o grupo de Agentes Ambientais Voluntários (AAVs) que atuam na região do Médio Solimões, na Amazônia Central, no Estado do Amazonas.

A entrega das credenciais, as ‘carteirinhas’, aconteceu em uma sessão na Câmara Municipal de Alvarães, pequena cidade rural localizada a mais de 500km de Manaus.

O credenciamento dos novos agentes foi desfecho da 8ª Oficina de Formação de Agentes Ambientais Voluntários (AAVs), realizada em fevereiro. Os participantes são das Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, áreas do entorno e também do município de Alvarães.

Agora a região conta com cerca de 180 agentes ambientais. Os agentes não possuem poder de fiscalização, mas devem comunicar as entidades fiscalizadoras sobre a ocorrência de infrações dentro ou no entorno de unidades de conservação ambiental e em demais áreas de interesse de proteção.

Os comunitários trabalham principalmente como agentes de conservação de recursos naturais, organizadores sociais, formadores de lideranças, mediadores de conflitos e educadores ambientais.

O técnico do Programa de Gestão Comunitária do Instituto Mamirauá, Paulo Roberto Souza, afirma que os agentes também se mobilizam para reivindicar maior presença do Estado dentro das unidades de conservação. “A dificuldade com polí­ticas públicas é cada vez mais acentuada e o agente ambiental busca respostas para essas demandas das comunidades”, afirma.

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“A embalagem vem e não volta”

Fora os deveres gerais, os comunitários credenciados buscam soluções para questões específicas de cada comunidade.

O descarte de resíduos sólidos, por exemplo, é um problema que se agrava com o aumento no consumo de produtos industrializados principalmente nas áreas de terra firme, que não são alagadas. “Eles não dependem tanto da várzea, onde tem muito peixe, e há um maior consumo de alimentos da cidade. É embalagem que vem e não volta”, diz.

O evento realizado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA) reuniu vereadores e o vice-prefeito de Alvarães, além de convidados e técnicos do Instituto Mamirauá. “Politicamente foi importante para fortalecer a agenda ambiental no município de Alvarães”, avalia o técnico.

O programa dos Agentes Ambientais Voluntários no Amazonas é realizado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA) com apoio Instituto Mamirauá e financiamento do Fundo Amazônia, cujos recursos são geridos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As ações fazem parte do projeto “Mamirauá: Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade em Unidades de Conservação” (BioREC).

Texto: Júlia de Freitas

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