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Produtores rurais participam de oficina sobre criação de gado que propõe menor impacto ao ambiente

Escrito por

Amanda Lelis

Publicado em

20/06/17

Criação animal e sustentabilidade, é possível conciliar os dois? Como promover a criação de gado, com pouco impacto ao meio ambiente?  Para responder a esta pergunta, criadores rurais, pesquisadores e técnicos do Instituto Mamirauá estão experimentando a implementação de um sistema de Pastoreio Racional Voisin (PRV). A experiência está sendo desenvolvida na fazenda Agda, no município de Tefé, no Amazonas. Após um ano e meio de aplicação da técnica, cerca de 12 produtores reuniram-se para uma oficina de avaliação entre os dias 15 e 16 de junho.

“A gente divulga e compartilha a ideia. Existe essa alternativa, dentro do sistema agroecológico, essa é uma alternativa que a gente acredita que dá resultado”, comentou a médica veterinária e técnica do Instituto Mamirauá, Paula Araujo. De acordo com a veterinária, o sistema prevê melhor aproveitamento das áreas de pastagem, diminuindo a necessidade de abertura de novas áreas florestais com este propósito.

“É uma área modelo, todas serão experimentais. Essa fazenda Ágata tinha 36 hectares de pasto, o projeto prevê utilizar apenas ¼ disso. E, nesse ¼, o objetivo é chegar numa produção regular e, que além de evitar a degradação do solo, contribua para complementar essa fertilidade do solo, que é o básico de toda vida do ecossistema”, explica a veterinária.  A matéria orgânica do próprio sistema propõe incrementar a fertilidade do solo, evitando que sejam utilizados insumos químicos.

O proprietário da fazenda, Otacílio Brito, comentou as mudanças na área após a implementação do sistema.  “Em um ano e meio, eu já vejo a recuperação dos animais, que estão saudáveis, a área de pasto recuperando, o solo com outro vigor de crescimento das gramíneas. Uma vantagem da tecnologia é que a gente pode diminuir a área de pastagem, deixar o restante pra ser reflorestado, e com uma área menor, criar a mesma quantidade de animais. Isso vai diminuir custos, a mão de obra das pessoas, o esforço físico, e consequentemente você pode ter mais lucro com sua atividade”, contou. Antes, Otacílio criava os animais no sistema extensivo. “O sistema extensivo, a gente sabe que depreda muito o meio ambiente, leva ao empobrecimento do solo e consequentemente acarreta em problemas financeiros para o criador”, disse.

Durante o curso, os produtores rurais, em grande maioria vindos da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, participaram de aula teórica e prática. Durante a teoria, foram discutidas as prioridades para criação animal, enfatizando a base, que seria a sanidade do animal: as vacinas, o controle de parasitos, e também a alimentação em qualidade e quantidade para a criação.

Também foram apresentados os princípios do PRV, dos quais se destacam quatro leis fundamentais: o tempo de repouso do pasto, necessário para recuperação da área; a ocupação, que é o tempo do animal na parcela para que consuma a parte com mais nutrientes das plantas; o rendimento máximo, que é priorizar os animais com mais exigência nutricional; e o rendimento regular, que dispõe sobre o tempo máximo para permanência dos animais em uma parcela.

Nesta metodologia, a área de pastagem é dividida em parcelas e os animais devem ser manejados por este ambiente diariamente, de forma que o impacto no solo e na pastagem seja menor que a criação dos animais soltos, com abertura de novas áreas da floresta para pasto, o que a equipe técnica assinala como uma vantagem ambiental. “Isso em relação ao ambiente, fora o aspecto econômico e social, do criador ter uma regularidade de renda, usando uma área reduzida. É para quebrar a ideia de que, para ter alimento, é preciso abrir novas áreas”, completou Paula.

Na oficina prática, os criadores observaram a área e o comportamento dos animais durante o manejo. Foram avaliadas as mudanças nas parcelas para o período de implantação do sistema, em março de 2016.

Esta ação faz parte do projeto Mamirauá: Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade em Unidades de Conservação – BIOREC – financiado pelo Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Texto: Amanda Lelis

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