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Pesquisa monitora a demanda madeireira em Tefé (AM)

Escrito por

Vanessa Eyng

Publicado em

15/04/15

Desde 2013, o Instituto Mamirauá vem monitorando dados sobre compra de madeira e venda de móveis, esquadrias e similares em Tefé, além de entrevistar extratores de madeira individuais, já que a cidade não possui serrarias. Mensalmente Viviane Marcos, bolsista do Programa de Iniciação Científica do Instituto Mamirauá, coleta essas informações em movelarias na cidade. A pesquisa também discute dados gerais sobre a atividade e traça um perfil dos profissionais envolvidos.  Essas informações são fundamentais para o planejamento de ações de manejo madeireiro economicamente viáveis, com boas alternativas de mercado.

Para iniciar a pesquisa, foi necessário identificar onde estavam os empreendimentos. Por meio do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam), a bolsista conseguiu informações sobre a localização das movelarias e sobre o cenário madeireiro em Tefé. Um questionário foi montado, para nortear as entrevistas. “O questionário era dividido em quatro partes. Primeiro, a caracterização, para saber quantos anos trabalham os profissionais que atuam na área, quantas máquinas possuem, por exemplo. Na segunda parte tratamos sobre a quantidade de madeira consumida, a frequência de compra e sua procedência. Na terceira parte a gente procura saber sobre o produto que eles mais produzem. Por último, tratamos de expectativas, para saber se o consumo de madeira aumentou ou diminuiu com o passar dos anos e saber quais as expectativas deles para o futuro no ramo”, completa Viviane.

Cerca de 25 movelarias foram visitadas em 2013 e em 2014. As entrevistas mostram que “a maioria das movelarias são bem antigas, e os moveleiros começam normalmente trabalhando no empreendimento de outras pessoas, e depois de um determinado tempo eles conseguem abrir o seu próprio negócio. Os empreendimentos mais antigos são passados de pai para filho ou para algum tipo de parente”, mostra a bolsista.

Os dados dos dois anos também permitem entender e mapear mudanças na atividade. “No primeiro ano de estudo, a gente conseguiu identificar três divisões da atividade: eles produzem só esquadrias, móveis e esquadrias ou só móveis. Nesse novo levantamento, eu percebi que hoje eles produzem móveis e esquadrias, ou só esquadrias. Eles afirmam que hoje já não é mais tão rentável trabalhar só com móveis, com a concorrência dos móveis de MDF e das lojas que trabalham com pagamento parcelado. Além disso, o custo de produção de um móvel é maior”, diz Viviane.

Para contar com dados de comparação, as entrevistas também foram realizadas no município de Alvarães e Uarini, localizados no Médio Solimões, próximos a Tefé. “Buscamos diagnosticar algumas similaridades e diferenças. Nos questionários, eu sempre pergunto qual a melhor época de saída dos produtos. Aqui em Tefé e em Alvarães, os números indicam que a maior saída é em novembro e dezembro. E lá em Uarini muda, geralmente é junho e julho, que é a época que corre farinha na cidade”, acrescenta a bolsista.

Já para a atividade de monitoramento, oito movelarias foram acompanhadas mensalmente em Tefé, desde novembro de 2013. Viviane aponta que foram coletados dados de “quantidade de madeira comprada e de produtos fabricados. Oito movelarias foram escolhidas por meio da estratificação. A gente quantificou e dividiu eles em bloco de consumo de madeira. Quem consume menos de 2 m³, de 2 a 4 m³, e de 4 m³ para cima. Também levamos em consideração a receptividade e localização dos empreendimentos”. Com esses dados, “a gente pode ver que a frequência de compra de madeira tem diminuído e que algumas movelarias ficaram sem trabalho porque não tinham mão de obra ou encomendas”, concluiu.

Conseguir as informações em campo não é fácil. No primeiro ciclo de entrevistas, a bolsista não conseguiu acessar os serradores. Mas com um ano, o cenário foi mudando.  “Esse ano que fechou foi interessante porque eu consegui o contato de um serrador, que se dispôs a me levar a outros serradores para conseguirmos uma amostra bem maior. O interessante é que a gente acabou encontrando uma associação de serradores. Por diversos problemas que aconteceram no decorrer do tempo, a associação está parada, mas é interessante saber que eles estão organizados”, comenta a bolsista.

Essa nova etapa da pesquisa acabou levantando uma informação fundamental para as estratégias de venda dos manejadores:  a maioria da madeira consumida em Tefé não é pelas movelarias, mas para a construção civil. Para Viviane, “esse é um grande achado do trabalho, porque as pessoas que tiram madeira manejada já podem pensar em oferecer madeira para esse fim”.

Programa de Iniciação Científica dá espaço para novos pesquisadores

Viviane participou do Programa de Iniciação Científica do Instituto Mamirauá, desde 2013. Atualmente finalizando a graduação em Economia, a bolsista lembra que no começo da faculdade tinha outras expectativas profissionais. “Ao fazer a pesquisa você acaba se envolvendo com a problemática, vendo que seu trabalho está contribuindo para divulgar e melhorar as atividades. Você acaba tendo contato com histórias de vida totalmente diferentes e muda a opinião sobre o que pensava. Quando eu iniciei na bolsa eu não imaginei que isso seria uma mudança tão grande, e hoje eu já estou planejando entrar no mestrado e me aprofundar ainda mais no assunto”, ressalta Viviane.

O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica é desenvolvido pelo Instituto Mamirauá com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

Texto: Vanessa Eyng

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