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Pesquisa analisa o comportamento reprodutivo das mulheres em comunidades ribeirinhas do Amazonas

Escrito por

Amanda Lelis

Publicado em

12/11/15

Como as polí­ticas públicas de saúde para gestantes chegam às mulheres que vivem em comunidades isoladas da Amazônia? Como são transmitidos os ensinamentos entre as gerações? Ainda hoje há a presença marcante da atividade das parteiras tradicionais nessas localidades? Em busca de respostas para esses e outros questionamentos, é realizado desde 2014, o projeto de pesquisa para analisar o comportamento reprodutivo no contexto rural. O estudo também conta com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A pesquisa trabalha com três gerações, como explicou a antropóloga do Instituto Mamirauá, Renata Valente. “São mulheres de diferentes gerações, a ideia é avaliar o comportamento reprodutivo ao longo dessas gerações. Por isso, trabalhamos com categorias de análise”, disse. De acordo com Renata, entre os pontos avaliados estão idade da primeira e última gestação, total de gestações e total de filhos, local do parto e uso de contraceptivos.

“Os dados revelam que, mesmo em diferentes gerações, essas mulheres continuam engravidando muito cedo. Na primeira geração (avós), a média é de doze filhos por mulher, na segunda (mães), esse dado cai para 6 filhos, e a terceira (netas), que são mulheres que possuem em média 24 anos, é de três filhos por mulher. Então, nesse ponto, estamos vendo uma diminuição” afirmou Renata.

De acordo com o Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na região Norte do Brasil, em 2010, a taxa de fecundidade era de 2,47 filhos por mulher, a maior do país. A pesquisa realizada na Reserva Mamirauá, em 2013, revelou que a média é de nove filhos por mulher nessa região. “Já foi realizado, pelo Instituto, um projeto com foco na parte quantitativa da saúde reprodutiva e formação familiar. A pesquisa que trabalho hoje tem foco na parte qualitativa, queremos detalhar essa reprodução, por isso, eu trabalho com a percepção dessas mulheres”, disse Renata.

O estudo é realizado em cinco comunidades em diferentes áreas da Reserva Mamirauá. De acordo com a antropóloga, a pesquisa foi feita por meio de entrevistas semiestruturadas e valorizando a história oral. De acordo com Renata, é um estudo em profundidade, no qual são feitas comparações do comportamento reprodutivo de três gerações de mulheres, que eram avós, mães e netas de uma mesma família.

A antropóloga destaca que, na segunda e terceira geração, foram indicados como uso de métodos contraceptivos a injeção ou pílula, sendo comum também a utilização de remédios caseiros pelas mulheres.

Outra informação apontada no estudo é que as mulheres mais jovens identificam o hospital como um lugar mais seguro para o parto. As mulheres da primeira e segunda geração (avós e mães) relataram que tiveram parto normal em domicílio com parteiras tradicionais, enquanto a maioria das mulheres mais jovens entrevistadas, da terceira geração (netas), relataram ter realizado partos no hospital.

A antropóloga ressalta que o acompanhamento médico da gestação é complicado na região, em razão da distância das comunidades dos centros de saúde. “São mulheres muito fortes, guerreiras, que cuidam de casa, que cuidam da roça, que pescam, e que têm filhos para cuidar. A ideia do estudo é ver como a família ribeirinha vem sendo composta na Reserva Mamirauá. Olhar para as pessoas que vivem na Reserva, para a questão da saúde, e de como chegam a essas mulheres as polí­ticas públicas de saúde”, enfatizou Renata.

Texto: Amanda Lelis

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