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Pesquisa analisa efeito da temperatura dos ninhos em caracterí­sticas de quelônios

Escrito por

Amanda Lelis

Publicado em

16/01/15

Assim como acontece com outros tipos de répteis, a temperatura de incubação em ninhos de quelônios influencia em algumas características dos filhotes e no sucesso da eclosão dos ovos. Para analisar detalhes sobre essa relação é que o Instituto Mamirauá realiza pesquisa com foco na ecologia e biologia reprodutiva de iaçás (Podocnemis sextuberculata).
Desde 2009 são coletados dados, na Reserva Mamirauá, como a relação entre fêmeas e filhotes, a seleção do local de nidificação pelas fêmeas, a influência do local escolhido no sucesso de eclosão, características dos filhotes (medição e pesagem), entre outros. “Também queremos investigar se a iaçá desova mais de uma vez em uma mesma temporada. Isto já foi comprovado para outras espécies de quelônios, principalmente tartarugas marinhas. Mas ainda não há registro para iaçá”, afirmou Cássia Camillo, pesquisadora colaboradora do Programa de Pesquisas em Conservação e Manejo de Quelônios do Instituto Mamirauá e professora da Universidade do Estado do Amazonas.
O objetivo desses estudos é gerar informações que possam direcionar as estratégias de conservação, atualmente muito focadas em proteger as áreas de reprodução. “Essas informações podem indicar praias que deveriam ser priorizadas para proteção. No entanto, sabemos que só isso não é o suficiente. É preciso proteger áreas de alimentação e o percurso entre essas áreas e as de nidificação”, reforçou.
De acordo com a pesquisadora também é estudada a relação entre a temperatura de incubação e o sexo dos filhotes. Nessa fase, ainda não há, para a espécie em questão, uma estratégia validada para a confirmação do sexo, além da análise de gônadas post-mortem. “Vamos testar dois métodos para identificação do sexo dos filhotes, um que é a dosagem hormonal e o outro que é a morfologia do casco. Para outras espécies, como a tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa) já foi verificado que alguns detalhes das características do casco dos filhotes possa indicar o sexo, assim, queremos  estabelecer também para a iaçá um padrão de identificação para machos e fêmeas viável também em campo”, disse Cássia.
Durante a pesquisa, já foi observada a relação entre a temperatura e a duração da incubação. Cássia reforça que temperaturas mais altas aceleram o desenvolvimento embrionário, diminuindo assim o tempo de incubação. O sucesso de eclosão também é influenciado pela temperatura. No entanto essa relação é diferente, pois o sucesso foi de 100% aos 32°C, diminuindo em temperaturas muito baixas (0% a 22°C e 23°C e 50% a 28°C) assim como muito altas (20% a 37,5°C).
O estudo foi realizado com 100 ovos da espécie coletados em praias do rio Solimões, localizadas no setor Horizonte da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no município de Uarini-AM. Os ovos foram incubados em condições de temperatura e umidade controladas. Após a eclosão dos filhotes, foram mantidos em vermiculita úmida em temperatura ambiente até o oitavo dia de vida e, em sequência, mantidos em cativeiro para monitoramento e avaliação do crescimento e sobrevivência.
“Os resultados corroboram informações levantadas para outras espécies de quelônios, indicando que existe uma faixa de temperatura em que o sucesso de eclosão é máximo e os filhotes apresentam características que lhes propiciam maior chance de sobrevivência”, reforçou a pesquisadora.Texto: Amanda Lelis

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