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Oficina promove tecnologias de saneamento para comunidades da Floresta Nacional de Tefé (AM)

Escrito por

Vanessa Eyng

Publicado em

18/06/14

A Associação de Produtores Agroextrativistas da Floresta Nacional de Tefé e Entornos e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade realizaram oficina para construção de fossas bio-sépticas. O Instituto Mamirauá, através de seu Programa de Qualidade de Vida, foi convidado a promover essa atividade, coordenando a construção de 4 fossas.
O técnico em Tecnologia Social do Instituto Mamirauá, Otacílio Soares Brito, foi o responsável pela oficina. Antes da própria ação foi necessário analisar qual a melhor tecnologia para o local onde se encontram as comunidades, que estão na terra firme e não são atingidas pela cheia dos rios. “Nós avaliamos, e, para beneficiar as 123 famílias das 9 comunidades envolvidas, seria necessária uma tecnologia já testada na zona rural e que não fosse tão cara. Por estes motivos optamos pela fossa bio-séptica com um reservatório de 1.000 litros”, disse Otacílio.
A ação ocorreu na comunidade do Tauari, no entorno da Floresta Nacional de Tefé. Comunitários de outros locais participaram desta oficina de capacitação com o intuito de replicar em suas próprias comunidades o mesmo sistema.  A partir da separação dos dejetos entre sólidos e líquidos, este sistema melhora as condições de sanidade e ainda fertiliza o solo.
A fossa bio-séptica instalada liga um vaso sanitário, através de tubulação, a um reservatório com 1.000 litros de capacidade. Este tanque recebe dejetos sólidos (que representam somente 0,01% do total dos dejetos) e dejetos líquidos (que representam os 99,99% restantes).  Os sólidos acabam decantando no fundo do tanque. “Como no processo de um biodigestor, existe na fossa séptica, em seu tanque, colônias de bactérias que ajudam a eliminar grande parte das outras bactérias, mais nocivas “, mostra Otacílio. Como a quantidade de sólidos é muito pequena, um reservatório deste porte levará anos até ser necessária qualquer manutenção em seu tanque, para retirada de dejetos.
Já os líquidos, conforme o volume no reservatório sobe, são gradativamente expelidos através de um segundo cano com pequenas perfurações em seu comprimento, mas fechado no final. Adaptou-se neste cano uma proteção de paxiúba ( Socratea exorrhiza) e seixos, para que a terra que cobre o cano não impeça a saída da água.  O reservatório ainda conta com uma saída para os gases que são naturalmente gerados no processo.
A área onde o líquido verte deve ser isolada e também deve estar distante de poços artesianos, evitando assim possíveis contaminações. Para que o solo não encharque neste local, indicasse também que sejam plantadas bananeiras, jerimuns ou taiobas, por exemplo. Estas plantas têm folhas mais largas, facilitando a transpiração dos líquidos.
“Aproveitamos também estes momentos, quando construímos as fossas, para conversamos sobre as questões sanitárias envolvidas. Não adianta somente instalar a tecnologia, também é importante discutirmos as doenças de vinculação hídricas e como o dejeto é encarado. A tecnologia e a sua instalação envolvem questões técnicas, mas é preciso encarar o dejeto como algo que faz parte de nossa vida, que deve ter um destino adequado e não deve ser ignorado”, pontua Otacílio.
Por Vanessa Eyng

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