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NUTEA ÁGUAS DA AMAZÔNIA: cooperação para fortalecer a ciência, tecnologia e inovação em torno do saneamento e recursos hídricos

Escrito por

João Paulo Borges Pedro, Maria Cecília Rosinski Lima Gomes e Ayan Santos Fleischmann Maria Cecília Rosinski Lima Gomes e Ayan Santos Fleischmann

Publicado em

05/12/23

Em julho deste ano, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá lançou, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o NUTEA – Núcleo Temático de Estudos Aplicados às questões hídricas da Amazônia, que também é chamado “NUTEA Águas da Amazônia”. No dia 23 de outubro, houve o evento presencial de lançamento oficial da iniciativa em Manaus.

O objetivo central do NUTEA é fortalecer o Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação por meio da realização de estudos, monitoramentos e desenvolvimento de tecnologias aplicadas ao saneamento (água e esgoto) e recursos hídricos, com inclusão socioeconômica e redução das assimetrias regionais.

Trata-se de uma rede de cooperação multi-institucional que visa estabelecer uma agenda comum em ciência, tecnologia e inovação em torno de dois assuntos urgentes nesta região: Saneamento e Recursos Hídricos. O acesso à água e saneamento são direitos humanos fundamentais. A Amazônia possui um dos piores índices de saneamento do país: somente 14% dos municípios são atendidos com esgotamento sanitário e 3,8 milhões de pessoas das áreas rurais da região Norte não possuem ligações à rede de esgotamento sanitário ou fossa séptica. Apenas 58% da população é atendida por uma rede de distribuição de água.

Associado ao saneamento, os recursos hídricos da Amazônia se destacam pelos grandes volumes de água existentes nos sistemas hidrológicos da região, que constitui o maior sistema fluvial do mundo. O Rio Amazonas exporta cerca de 20% das águas que chegam aos oceanos por meio de rios. Ainda assim, a variabilidade da disponibilidade destes recursos, especialmente durante secas e cheias extremas, traz grandes desafios para o seu gerenciamento, assim como o monitoramento adequado das águas em um sistema tão amplo e muitas vezes remoto. Além disso, há ainda um conhecimento inadequado sobre muitos aspectos do ciclo da água, como por exemplo a disponibilidade e dinâmica de águas subterrâneas.

Para enfrentar estes desafios é evidente a necessidade de um fortalecimento multi-institucional, com a presença de instituições acadêmicas e de pesquisa, do terceiro setor e do setor produtivo. É imperativo que especialistas se envolvam numa plataforma comum para debater e definir estratégias de ações que permitam alterar o quadro de cobertura do saneamento na Amazônia e contribuir para a conservação dos recursos hídricos.

Conforme parceiro da UNICEF, Paulo Diógenes, “O NUTEA é uma rede que aglutina atores estratégicos que atuam no setor de saneamento básico e recursos hídricos na Amazônia, com potencial para criar pontes necessárias entre o poder público, sociedade civil, academia e iniciativa privada. ”

Um dos coordenadores do NUTEA, Dr. João Paulo Borges, defende a importância da criação do núcleo para debater temas relacionados ao saneamento. “Essa rede é uma oportunidade especial de reunir pessoas sensibilizadas ao assunto e que são especialistas, comprometidas com a alteração do quadro atual da Amazônia no que diz respeito ao saneamento. Será um grupo de interessados que poderão construir uma agenda inteligente, factível, e pode contribuir com o Bioma de verdade”, diz.

Nos próximos dois meses, as instituições terão mais três encontros para delinear e finalizar uma agenda estratégica em torno do tema do NUTEA e realizar o lançamento da rede e suas ações.

No ato de lançamento do NUTEA, estiveram  presentes as seguintes instituições: Águas de Manaus; ANA – Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico; FUNASA – Fundação Nacional de Saúde; IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis; ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade; IFAC- Instituto Federal do Acre; INPA – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia; Instituto Federal do Amapá; Instituto Tecnológico Vale; Laboratório central do estado do pará; SARES – Serviço Amazônico de Ação Reflexão e Educação Socioambiental; Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amapá – SEMA/AP; SEDAM – Secretaria de Desenvolvimento Ambiental de Rondônia ; SEDECTI/SECTI – Tefé; SEDURB – Secretaria de Estado de. Desenvolvimento Urbano e Metropolitano; SEDURB/AM; SEMA – Secretaria de Estado de Meio Ambiente; UEA – Universidade do Estado do Amazonas; UFAM – Universidade Federal do Amazonas; UFAM – Universidade Federal do Amazonas; UFOPA – Universidade Federal do Oeste do Pará; UFPA – Universidade Federal do Pará; UFRA – Universidade Federal Rural da Amazônia; UFRR – Universidade Federal de Roraima; UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância; UNIR – Universidade Federal de Rondônia; Universidade Federal do Oeste do Pará; Universidade Federal do Pará.

Texto: João Paulo Borges Pedro, Maria Cecília Rosinski Lima Gomes e Ayan Santos Fleischmann

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