Na Alemanha, pesquisador do Instituto Mamirauá recebe prêmio por pesquisa de conservação

Publicado em:  3 de outubro de 2016

O pesquisador associado do Instituto Mamirauá, Hani Bizri, está entre os 25 jovens selecionados pelo Ministério de Educação e Pesquisa da Alemanha para a premiação do Green Talents Award 2016. O concurso é promovido anualmente, desde 2009, e premia jovens cientistas do mundo todo que trabalham a favor do desenvolvimento sustentável. Como parte da premiação, Hani participa do fórum sobre sustentabilidade - International Forum for High Potentials in Sustainable Development - que acontece na Alemanha entre os dias 15 e 29 de outubro. Selecionado entre mais de 750 candidaturas, Hani visita as cidades de Berlim, Greifswald, Hamburgo e Bremerhaven, para encontros com especialistas de diferentes instituições. A segunda etapa do prêmio é um intercâmbio de três meses, em 2017, em uma instituição de pesquisa, escolhida pelo jovem.

Hani foi pesquisador do Instituto Mamirauá - unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações - por três anos, nos quais desenvolveu projeto de pesquisa com foco na reprodução e no uso sustentável de espécies de animais silvestres tradicionalmente caçados na região, com bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Atualmente, Hani colabora como pesquisador associado, membro do Grupo de Pesquisa em Ecologia de Vertebrados Terrestres do Instituto Mamirauá e cursa o mestrado em "Saúde e Produção Animal na Amazônia", na Universidade Federal Rural da Amazônia, em Belém (PA).

O jovem revela que a premiação é uma oportunidade de compartilhar o conhecimento sobre a Amazônia com cientistas de outras regiões do globo, além de incentivar a produção científica no Brasil.  "O prêmio vai me oferecer a grande oportunidade de ser representante do Brasil como um dos principais jovens pesquisadores que trabalham com a sustentabilidade no mundo todo. Esse reconhecimento será importante para inspirar outros jovens cientistas do meu país. É uma prova para os jovens pesquisadores brasileiros de que as nossas ações para mudar o mundo valem a pena, independente das dificuldades que enfrentamos", contou Hani.

As candidaturas foram avaliadas por um júri de especialistas em sustentabilidade, atuantes na indústria, em pesquisa científica e representantes da sociedade civil. A participação no Fórum é a primeira etapa do prêmio. Durante duas semanas, Hani terá a oportunidade de conhecer instituições de pesquisa e empresas que atuam na área de desenvolvimento sustentável na Alemanha e acompanhar um workshop sobre pesquisa científica e financiamento, além de apresentar o seu trabalho pessoalmente para três especialistas de sua área de atuação, escolhidos por ele. A segunda etapa do prêmio é um intercâmbio de três meses em uma instituição de pesquisa alemã, que acontecerá no próximo ano. Todos os custos das viagens estão inclusos na premiação.

Hani reforça que a Amazônia brasileira, apesar de ser o bioma mais representativo no Brasil, contém menos de 5% dos pesquisadores doutores do país, de acordo com um levantamento realizado pelo Cnpq, o que demonstra a necessidade de profissionais qualificados para atuar na região. "Eu quero continuar trabalhando na Amazônia para iniciar programas de manejo da vida silvestre e trazer mudanças positivas para os meios de subsistência das populações rurais. O meu objetivo é desenvolver novas abordagens colaborativas entre conhecimento científico e a prática local, e desejo disseminar essas práticas de sustentabilidade para os jovens para garantir que estes sejam conceitos de longo prazo no Brasil. A minha ideia é criar projetos que mantenham as florestas tropicais brasileiras sustentáveis e prósperas para as populações residentes", completou o pesquisador.

 

Talentos do Instituto Mamirauá

Hani não é o primeiro jovem da equipe do Instituto Mamirauá a receber o reconhecimento do Governo Alemão. Em 2015, a técnica do Programa de Manejo de Agroecossistemas do Instituto, Paula Araujo, também foi agraciada pelo Green Talents. Paula está na Alemanha desde o início de outubro, participando do estágio oferecido como uma das etapas da premiação.

Foto: Green Talents 2015

Até dezembro, Paula, que é graduada em medicina veterinária e mestre em agricultura orgânica pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, em parceria com a Embrapa Agrobiologia, participa das atividades de pesquisa na "TiHo Hannover". "Quando eu estava procurando uma instituição, percebi que seria interessante procurar uma escola de veterinária de referência mundial. TiHo Hannover é uma escola reconhecida na área. Tenho certeza que este tempo que passarei lá será muito produtivo e estabelecerá ótimas relações", contou Paula.

Paula conta que em sua pesquisa no Instituto, ela escolheu trabalhar com a etnobotânica, estudando os recursos vegetais usados na alimentação dos rebanhos de bois e búfalos, com atenção para a visão que os criadores da Reserva Amanã tinham sobre o tema. "O projeto que vou acompanhar se chama MuKuGreen. Este trabalho me chamou atenção por também ter um olhar mais amplo da criação de gado. Além avaliar aspectos econômicos da atividade, também observa aspectos do ambiente, da saúde e do bem-estar dos animais. Estes aspectos não fizeram parte do meu projeto de mestrado, mas têm muita importância no trabalho de assessoria técnica do Instituto na Reserva Amanã. Com certeza, participar desta pesquisa e aprender esses métodos podem me ajudar a construir estratégias de pesquisa e assessoria para otimizar os sistemas produtivos e garantir equilíbrio socioambiental na RDS Amanã, além de prover um ambiente sadio para os animais", disse.

Texto: Amanda Lelis

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