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Instituto Mamirauá vence Prêmio Nacional da Biodiversidade em duas categorias

Escrito por

Eunice Venturi

Publicado em

22/05/15

O Instituto Mamirauá venceu o Prêmio Nacional da Biodiversidade, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente. A distinção acaba de ser entregue, em cerimônia realizada no Palácio do Itamaraty, em Brasí­lia (DF). Na bagagem, a pesquisadora Miriam Marmontel, coordenadora da iniciativa “Conservação do Peixe-boi Amazônico”, trará para o Amazonas dois troféus: um pela vitória na categoria academia, e outro, pelo primeiro lugar na votação do júri popular.
“Certamente é uma honra muito grande ser recipiente dessa primeira edição do prêmio que reconhece tantas iniciativas importantes da biodiversidade do nosso país. Parabenizo o Ministério do Meio Ambiente pela iniciativa e agradeço pelo prêmio. Tenho muito mais pessoas para agradecer. Nesses mais de 20 anos de trabalho, nós temos uma equipe muito grande, uma equipe distribuída por todo o Brasil, entre estagiários, pesquisadores, bolsistas, conservacionistas. Então, um agradecimento muito grande a eles. Um agradecimento ao Instituto Mamirauá e a todos os apoiadores que a gente teve ao longo do tempo. E um agradecimento especial ao próprio peixe-boi que me inspira a continuar este trabalho!”, disse emocionada a pesquisadora Miriam Marmontel.
O prêmio da categoria de votação popular foi entregue pela Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que destacou em seu discurso: “O prêmio é muito importante por conta de toda a pressão que sofremos quando se trata da biodiversidade, como no caso do projeto do peixe-boi. Vamos lutar até o último minuto para manter os projetos de pesquisa, pois é preciso respeitar as instituições e os pesquisadores neste país”. Da escolha online participaram 63 mil pessoas. Foram 888 iniciativas inscritas, 18 finalistas e sete vencedores.
O Instituto Mamirauá atua na conservação do peixe-boi Amazônico desde 1993, antes mesmo de sua fundação, quando as ações eram desenvolvidas por meio da Sociedade Civil Mamirauá. A proposta de conservação, desenvolvida pelo Instituto Mamirauá, visa gerar dados biológicos e populacionais da espécie, sensibilizar as comunidades ribeirinhas e reabilitar peixes-boi órfãos, devolvendo-os à natureza no menor tempo possível.
Para isso, o Instituto Mamirauá implantou o Centro de Reabilitação de Peixes-boi de Base Comunitária (Centrinho), na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, credenciado como “criatório conservacionista de animais silvestres” pelo IBAMA em 2008. O Centrinho recebe filhotes órfãos de peixes-boi, resgatados em municípios da região do Médio Solimões, no Amazonas.
Essa iniciativa já reabilitou e devolveu ao ambiente natural 12 peixes-boi amazônicos, a maioria liberada com equipamento de rádio e monitorada ao longo de vários meses. A primeira soltura ocorreu em 2000, a segunda em 2012, e a última, no início de 2015. “A ideia, uma vez que esses animais estão soltos, é fazer o monitoramento diário. Os animais saem com um cinto adaptado à cauda. Esse cinto contém um radiotransmissor com sinais de frequência única, as quais podemos captar através de receptor específico. Nós pretendemos seguir esses animais durante o maior tempo possível, para ver essa reintegração ao ambiente natural e com a população nativa. Com isso, também vamos gerar uma série de informações sobre a espécie, além de observar o grau de sucesso da reabilitação”, afirmou Miriam.
Além da estratégia de implantação de um centro de reabilitação, pesquisadores de várias regiões da Amazônia atuam na construção de um painel amplo e abrangente da situação atual do peixe-boi. Com a realização de pesquisas científicas e envolvimento da população local, é possível desenvolver estratégias de conservação focadas à espécie e seus problemas, ao longo de toda a Amazônia brasileira.
Os demais vencedores foram:
– Empresa – “Programa de Valorização do Jaborandi (Anidro do Brasil Extrações S/A – Grupo Centroflora)”, da empresa Anidro do Brasil Extrações S/A-Grupo Centroflora.
– Imprensa – reportagem “Boto: da lenda à ciência, o encanto do príncipe das águas”, da TV Amazonas.
– Organizações Não Governamentais – “Programa de Conservação do Mico-Leão-Preto”, do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ).
– Órgãos Públicos – “Projeto Conservação e Manejo do Faveiro-de-Wilson”, espécie criticamente em perigo, da Fundação Zoo-Botânica de Belo Horizonte/Jardim Botânico.
– Sociedade Civil – projeto “Manejo pesqueiro do Pirarucu”, da Operação Amazônia Nativa (Opan).
Texto: Eunice Venturi

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