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Instituto Mamirauá analisa aspectos da caça de cutias em uma reserva no Amazonas

Escrito por

João Cunha

Publicado em

20/09/17

Resultados do monitoramento de caça de cutias serão apresentados hoje (21), durante o 9º Congresso Brasileiro de Mastozoologia

Muito ágeis e sorrateiras, as cutias (Dasyprocta fuliginosa) se movimentam na mata. Não é à toa: esses pequenos roedores precisam ser silenciosos, porque são caça de muitos animais e também de seres humanos. Em muitas partes da Amazônia, a cutia está entre as espécies preferidas de caçadores. É o caso da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, no estado do Amazonas. Uma pesquisa do Instituto Mamirauá sobre os parâmetros de caça de cutias na Reserva Amanã será apresentada hoje (21), no último dia do 9º Congresso Brasileiro de Mastozoologia, em Pirenópolis, Goiás.

“Apesar da importância das cutias para a alimentação local, as informações sobre a ecologia dessa espécie na região são escassas”, explica a pesquisadora Jéssica Jaine Lima, que apresentará o estudo no congresso.

Chamado “Estrutura sexo-etária, seletividade e sazonalidade da caça de cutias na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, Amazonas Brasil”, o trabalho traz informações obtidas a partir do Sistema de Monitoramento de Uso da Fauna, implementado há 15 anos na Reserva Amanã pelo Instituto Mamirauá. O sistema consiste na coleta contínua de informações sobre eventos de caça e de material biológico em cinco comunidades rurais na reserva.

Dados

O monitoramento registrou 1309 indivíduos abatidos durante o período. Desse total, 80% corresponde a cutias adultas. Foi detectado que, na região, as fêmeas da espécie atingem a maturidade em um peso maior que machos (cerca de 6 kg e 5 kg, respectivamente). “O peso máximo registrado foi de 7 kg para fêmeas e 6 kg para machos. A razão sexual obtida foi de 1 macho para cada 1,4 fêmeas abatidas, não havendo variação ao longo dos anos”, escreve a pesquisadora.

Fonte alimentar

No trabalho, Jéssica destaca que a caça de cutias ocorre durante todo o ano, sendo mais frequente no mês de junho, o pico da época de cheia dos rios da região. “Embora a Reserva Amanã seja predominantemente formada por ambiente de terra-firme, nota-se que a sazonalidade da caça está diretamente relacionada ao nível d´água, o que ressalta a importância da cutia como fonte alimentar, uma vez que durante a estação cheia há menor disponibilidade de pescado”, afirma.

A pesquisadora, que faz parte do Grupo de Pesquisa em Ecologia de Vertebrados Terrestres (Ecovert) do Instituto Mamirauá, ressalta ainda que “análises de parâmetros reprodutivos e de modelagem populacional (que iremos realizar) são indispensáveis para que possamos garantir a sustentabilidade da caça de cutias na Reserva Amanã e a segurança alimentar das populações locais”.

Projeto

Os resultados que serão apresentados no 9º Congresso Brasileiro de Mastozoologia fazem parte do projeto “Aspectos da caça e de parâmetros reprodutivos de cutia (Dasyprocta fuliginosa) na RDS Amanã, Amazonas, Brasil” do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Além da pesquisadora Jéssica Jaine Lima, fazem parte do projeto os pesquisadores do Instituto Mamirauá João Valsecchi (orientador), Hani Rocha El-Bizri (co-orientador), Anamélia de Souza Jesus (auxílio na análise de dados) e Lísley Lemos (auxílio na análise de dados). As atividades contam com o apoio do Programa de Capacitação Institucional do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq e da Fundação Gordon and Betty Moore.

Texto: João Cunha

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