Instituto Mamirauá relança quarto volume da série Protocolo de Manejo de Recursos Naturais sobre manejo sustentável do caranguejo-uçá

Publicado em:  3 de setembro de 2020

Publicação foi atualizada considerando alterações na pesca em manguezal e novos riscos que ameaçam a extração da espécie e a subsistência de comunidades rurais na Amazônia

O Instituto Mamirauá lançou nesta semana uma edição atualizada do quarto volume da série de oito protocolos de manejo de recursos naturais, a edição trata sobre o manejo sustentável do caranguejo-uçá. Baseada nas experiências desenvolvidas nas reservas extrativistas marinhas do estado do Pará, a publicação apresenta uma nova forma de embalagem e transporte de caranguejos, além dos resultados do trabalho realizado por pescadores artesanais na região.

O documento, lançado inicialmente em 2015, tem o objetivo de auxiliar técnicos, estudantes e profissionais que trabalham com a temática pesca, meio ambiente e recursos pesqueiros no nordeste do estado do Pará. O Manejo do caranguejo-uçá: método de embalagem para o transporte sustentável é fruto da dissertação de mestrado de Patrick Heleno dos Santos Passos em parceria com Marcelo Coelho, Suezilde Ribeiro, João Coelho, Manoel almeida e Waldemar Vergara, e contou com apoio do ICMBio, Governo do Estado do Pará, Associação dos Usuários das RESEX do Pará e da CONFREM.

Conheça o método que melhorou a qualidade do caranguejo no Pará

Dos manguezais até os centros consumidores, os caranguejos podem atravessar um longo caminho por rio ou estrada. Para garantir a qualidade do produto e a sobrevivência dos crustáceos até os centros de venda, a Instrução Normativa nº 09/2013 - MPA regula que o caranguejo deve ser armazenado em basquetas, recipientes contentores cobertos de esponjas úmidas. Logo depois da coleta no mangue, o caranguejo pode ser levado em sacas, paneiros e cofos até um ponto com água e energia elétrica. Lá ele deve ser lavado na torneira e, a partir daí, selecionado pelo tamanho e embalado nas basquetas.

 “Nós usamos essa técnica da basqueta para diminuir a mortalidade do nosso caranguejo, para que ele chegue nas feiras e restaurantes com qualidade e para as pessoas darem mais valor ao nosso trabalho”, diz Adnaldo Chagas, pescador artesanal no município de São João da Ponta.

Adnaldo é um dos milhares de pescadores artesanais capacitados para o transporte sustentável de caranguejo nos últimos anos no Pará. Desde 2013, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (SEDAP-PA), em parceria com o Instituto Mamirauá, promove cursos de extensão pesqueira pelo estado com foco nessa prática.

O novo método foi responsável por diminuir o índice de mortalidade dos crustáceos durante o deslocamento até os centros de venda, valorizando o produto e aumentando a renda dos pescadores da região. “Com essa modalidade de transporte, a mortalidade do caranguejo caiu de 50% para 1,8%. Foi isso que legitimou a legislação que regula o transporte desse crustáceo atualmente”, disse Patrick Passos, técnico da SEDAP-PA.

Atualmente, as basquetas são usadas em seis municípios paraenses. Segundo Patrick, 3.200 pessoas receberam a capacitação e cerca de 50 tornaram-se multiplicadores da técnica. “No total, quinhentos pescadores venderam sua produção utilizando essas basquetas, e entre 60 e 100 mil animais foram transportados nessa modalidade”, afirma Patrick.


Foto: Fernando Sette
Foto: Ricardo Vaz
Foto: Fernando Sette

Outras obras sobre o manejo sustentável do caranguejo

Entre Bosques de Mangue: o saber e o sabor do povo da Maré” é uma cartilha educativa produzida pelo Instituto Mamirauá, em parceria com a SEDAP-PA e apoio da organização internacional Rare. Nela, João do Mangue, pescador experiente de caranguejo e morador do município de São João da Ponta, localizado na Reserva Extrativista Marinha de mesmo nome, compartilha com o público a história da implantação de uma nova forma de embalagem e transporte de caranguejos no Pará.

Mestres da Maré” é uma websérie de quatro episódios filmada no município de São João da Ponta, no Pará, em outubro de 2017, durante a realização de um curso para o transporte do caranguejo. A produção lançada pelo Instituto Mamirauá dá destaque ao trabalho de mulheres e homens dedicados ao manejo seguro e de qualidade em manguezais na Amazônia.

Parceria com o Instituto Mamirauá

Com longa experiência em assessoria para manejo de recursos naturais na Amazônia, o Instituto Mamirauá é uma organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). As atividades realizadas no Pará são apoiadas pelo Instituto desde 2013 e contam com o financiamento da Fundação Gordon and Betty Moore.

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