“Depois que vim para o instituto, minha mente ficou mais aberta para ser pesquisadora”

Publicado em:  8 de outubro de 2019

Ela mora em uma comunidade cuja esperança está no nome; a jovem Geice da Silva Monhões é moradora da comunidade Boa Esperança, que fica na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã. Antes de começar a estudar no Centro Vocacional Tecnológico (CVT) do Instituto Mamirauá – uma organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações –, ela queria estudar letras. Mas depois do contato com pesquisadores e técnicos, a pesquisa entrou nos sonhos da estudante de 19 anos. “A gente tem vários sonhos, não é? Quando a gente é criança, tem um. Quando a gente cresce, vai tendo outros e, quando mais a gente vai vivendo algumas coisas e vai abrindo a mente, vai querendo saber e querendo fazer aquilo”, comparou. Saiba mais sobre essa amazonense, que nasceu no município de Maraã, na entrevista para o site do Instituto Mamirauá. 

Como é a vida na comunidade Boa Esperança? 

A vida na minha comunidade é muito boa, eu amo viver lá. É uma vida muito boa, porque eu gosto de participar. Eu participo de todos os eventos que têm quando eu estou lá. Porque tudo que vem de lá eu quero adquirir para poder passar para outras pessoas, principalmente, para os meus filhos e netos e deixar esse ‘rastro’ para eles, para que eles possam seguir essa vida também. Então, eu gosto muito de viver lá. É uma vida tranquila, calma, naquele ambiente da natureza. 

Qual é a diferença de morar na cidade de Tefé e na comunidade?

A diferença de morar lá na comunidade para morar aqui? Tem diferenças em todos os aspectos. Porque lá tudo que a gente tem vem da natureza, que a gente pode ir lá e pegar para se alimentar. Tanto a questão do alimento como do ar. É algo tão esplêndido. E vindo para cidade é totalmente diferente. Tudo é questão de comprar, de ter dinheiro. E o ar é uma coisa que nos prejudica, porque há muita poluição; lá não tem. Meu pai, que é agricultor, prioriza essa coisa de comer coisas saudáveis e deixar as besteiras de lado. Porque a gente sabe que isso prejudica. Ele já não quer de maneira alguma; se ele ver a gente comendo, já briga, porque ele não gosta mesmo. Na verdade, vai prejudicar a nossa saúde. Meu pai também recebe assessoria técnica do Instituto Mamirauá, que o ajudou muito nessa visão. Hoje, ele já não tem a visão que tinha antes de conhecer o Mamirauá. O instituto trouxe cursos maravilhosos para ele, que não quis perder nenhum. Às vezes, eu vou ver as coisas dele. Ele tem uma pasta enorme que tem vários certificados. Tudo pelo instituto. E ele faz questão de participar. Ele é formado em criação de abelha sem ferrão. Vários cursos que ele se capacitou para aquilo. Agora, ele já valoriza bastante a agricultura. 

O que te levou a decidir fazer o CVT?

Eu sempre fiquei muito curiosa para saber o que era. Quando a Raimunda da minha comunidade entrou, ela já me contou um pouco e me explicou como era. Ela me falou que era um centro tecnológico para capacitar jovens. Isso que me chamou mais atenção, porque eu gosto muito de participar, faço questão de estar no meio do povo falando, conversando com eles. Eu quero isso para mim, quero me capacitar para poder ajudar os moradores de Boa Esperança. 

E como está sendo essa experiência nesses dois meses?

A minha experiência no CVT é pouca, estamos com dois meses, ainda tem muita coisa pela frente. Mas o que eu pude perceber nesses dois meses é que está sendo algo muito maravilhoso e muito produtivo. Tudo que passaram aqui tem a ver com a nossa realidade, o que nós vivemos e o que nós queremos, questão das oficinas e de agricultura. Tudo isso está em torno de nós. E a gente vai abrindo a mente como nós podemos melhorar o trabalho e como podemos trabalhar melhor essa questão da agricultura e da pesca. Isso que nos envolve, pois é para gente poder melhorar nosso trabalho mesmo. 

Qual é sua expectativa para os próximos meses? 

A minha expectativa do CVT, daqui para frente, é que possa aprender, principalmente, a questão das matérias principais. Contabilidade é algo que nós precisamos bastante; que é um problema nosso em questão de livros-caixa, por exemplo. A gente precisa muito que fosse possível melhorar os horários. A gente sempre fala que os horários são bem curtos e queria ter mais tempo para trabalhar e para estudar e que poder aproveitar bastante o conhecimento. Aproveitar de verdade para que possamos chegar na nossa comunidade e passar tudo que aprendemos.

Qual é o seu sonho?

A gente tem vários sonhos, não é? Quando a gente é criança tem um. Quando a gente cresce, vai tendo outros; e, quando mais a gente vai vivendo e vai abrindo a mente,  vai querendo saber mais e fazer aquilo. Eu queria estudar, me formar em letras, português. Quando eu vim para o instituto, já me abriu outra mente. Outra janela de querer ser pesquisadora, por conta de morar numa reserva, de morar no interior e poder ajudar. Eu não queria sair de lá para estudar e voltar para trazer os conhecimentos. Fazer pesquisas. Eu quero ser pesquisadora para ajudar eles e para conhecer melhor o lugar onde eu vivo. 

Para apoiar projetos do Instituto Mamirauá, como o Centro Vocacional Tecnológico, adquira uma camiseta da campanha “Sonhos Amazônicos”, o endereço moko.com.br/compre. O CVT e essa campanha têm o financiamento da Fundação Gordon e Betty Moore. Vista essa causa!

Entrevista de Júlia Freitas e Everson Tavares; edição de Eunice Venturi.

Confira o relato de Geice abaixo:

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Everson Tavares

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