Artesanatos da Reserva Amanã são classificados em estudo do Instituto Mamirauá

Publicado em: 26 de setembro de 2016

O artesanato tem se configurado como uma fonte alternativa de renda entre famí­lias da Reserva Amanã, no Amazonas. O chamado "teçume", que são artigos produzidos com palha trançada, tem destaque entre as peças tradicionalmente confeccionadas e comercializadas na região. Buscando compreender as técnicas e os padrões de produção desse tipo de artesanato, uma pesquisa de iniciação cientí­fica avaliou materiais que compõem parte da Coleção Etnográfica do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

O Instituto possui cerca de 480 peças de artesanato em sua Coleção Etnográfica. Desses, cerca de 230 são da categoria dos trançados. O bolsista de iniciação cientí­fica Raucy Monteiro explica que a classificação e manutenção desses objetos no acervo do Instituto possibilita a exposição e conhecimento de vários aspectos da cultura material de um grupo. "o artesanato tem uma grande importância local também em termos da cultura material, da valorização dos artefatos. Essa é uma valorização da transmissão do conhecimento que foi passada de geração em geração", comentou.

Filho de um artesão, Raucy contou que cresceu assistindo e ajudando o pai nos trabalhos. "Eu me sinto com sorte em todos os requisitos. Eu gosto muito dessa área, desde pequeno cresci vendo meu pai fazendo. O projeto é um jeito de conhecer mais", disse o jovem. Raucy cursa o terceiro ano do ensino médio na Centro Educacional Gilberto Maestrino, em Tefé, e se dedicou por um ano à pesquisa no Instituto Mamirauá.

Para a análise, foram escolhidas 40 peças do acervo do Instituto, produzidas por artesãos do Grupo de Artesãs Teçume da Amazônia e também pela família de artesãos moradora da comunidade Sí­tio Monte Mureá. Os materiais foram analisados com base na técnica do trançado, matéria prima utilizada e decoração.  "A gente analisa através da trama, que é a tala perpassando uma sobre a outra. E a gente procura analisar como é feito o processo de manufatura dessa peça e se houve a utilização de sementes. A gente também procura analisar como são elaboradas as técnicas e a partir da matéria prima", comentou o jovem.

De acordo com Raucy, o trabalho dos artesãos na Reserva Amanã é predominantemente executado por mulheres, que repassam os conhecimentos para a família. Para a produção das peças, a maior parte da matéria prima é retirada da natureza. Raucy explica que a extração das talas para o trançado é feita quando a vegetação está madura, respeitando o seu ciclo de crescimento. "Elas utilizam a ‘patiubinha’, o ‘cipó ambé’, e o ‘cauaçu’para outras peças. O tingimento também é natural. Elas utilizam o crajiru, o urucum, o açafrão, que dão diversos tons na tala. Outra coisa interessante é o grafismo, que são esses desenhos nas peças. Que, para elas, tem certa representação da fauna e da flora, um tem o nome de jacaré, outro de orquídea. E, através da percepção delas, elas vão realizando os grafismos", disse.

Esse projeto conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientí­fico e Tecnológico (CNPq) para o pagamento de bolsa de estudo.

 

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