
Programa de Manejo de Agroecossistemas
Pesquisa e assessoria técnica à agricultura familiar das Reservas Mamirauá e Amanã, da Floresta Nacional de Tefé e dos municípios da região de Tefé, no médio rio Solimões — desde 1994.
Agricultura familiar no médio Solimões
A agricultura familiar ocupa um lugar importante na economia doméstica das famílias das RDSs Mamirauá (RDSM) e Amanã (RDSA), bem como em outras unidades de conservação, como a Floresta Nacional de Tefé (FLONA – Tefé), e nos municípios da região de Tefé, localizados no médio rio Solimões. Esta atividade, em conjunto com a pesca e o manejo de recursos madeireiros e não madeireiros, está entre as principais atividades rurais praticadas pelos ribeirinhos, agricultores e produtores destas regiões.
Nestas áreas os sistemas de cultivo estabelecidos são itinerantes (agricultura migratória ou de corte e queima) e constituem os agroecossistemas, onde se incluem as áreas de roças (destinadas prioritariamente ao plantio da mandioca), capoeiras (florestas secundárias em diversas etapas de sucessão ecológica), sítios e quintais.
Devido à importância econômica da agricultura familiar e à sua importância para a conservação, desde 1994 o Instituto Mamirauá realiza pesquisas sobre esse tema, além de oferecer assessoria técnica aos agricultores familiares, colaborando para a melhoria e a sustentabilidade das práticas de manejo dos agroecossistemas e para a produtividade dos sistemas.

O programa em vídeo
Vídeo do canal do Instituto Mamirauá no YouTube, incorporado na página do programa.
“Eles usam o ambiente de forma integrada, sem prejudicar a floresta que existe aqui”
Objetivos
O Programa de Manejo de Agroecossistemas (PMA) estimula o manejo participativo dos agroecossistemas e trabalha com quatro objetivos principais.
- Estimular a melhoria do manejo dos agroecossistemas, visando o uso sustentável do solo, a redução do desmatamento e o aumento da agrobiodiversidade.
- Estimular a diversificação produtiva como estímulo à segurança alimentar e à geração de renda.
- Apoiar a organização dos produtores para a comercialização.
- Estimular a conscientização ambiental e cidadã.
Abordagem
Toda a atuação do PMA tem como base os princípios da agroecologia, que prioriza a manutenção e o uso dos recursos naturais dos próprios agroecossistemas como forma de manter a conservação dos sistemas produtivos e da natureza. As propostas de intervenção são desenvolvidas de modo a adequar-se à realidade local e às prioridades identificadas pelos agricultores e criadores.
Esse direcionamento ocorre por meio do conhecimento do manejo tradicional, da identificação dos potenciais e limitações dos produtores rurais e de seus sistemas e da construção participativa de soluções e experimentações. Para tanto, o PMA promove capacitações e assessorias técnicas voltadas ao fornecimento de informações teóricas e práticas sobre todas as etapas dos manejos, apoiando o fortalecimento dos grupos, agricultores e criadores quanto à organização, à gestão e ao desenvolvimento da autonomia para realizar as práticas de manejo.
O PMA também integra e incentiva o envolvimento dos moradores locais em espaços de discussão e decisão locais e regionais — fóruns, conselhos, comitês e comissões — que possibilitem melhorias na qualidade de vida das famílias e grupos. Além disso, participa e incentiva a participação nas discussões voltadas à construção de políticas públicas adequadas às realidades dos agricultores e criadores que residem no interior, e busca o fortalecimento de redes de instituições locais e regionais que ampliem as trocas de experiências.

Linhas de atuação e projetos de extensão
Cinco linhas de trabalho, com capacitações e assessorias técnicas às famílias de agricultores e criadores.

Manejo da criação de pequenos animais
A criação de pequenos animais tem um importante papel na complementação da renda familiar, além de servir como fonte de alimentos para as famílias de criadores e agricultores. A partir do diagnóstico do manejo tradicional, foram identificadas as principais fragilidades desses sistemas de criação, assuntos constantemente discutidos nas atividades em campo, conjuntamente com as famílias assessoradas.
O PMA realiza capacitações e assessorias técnicas para as famílias que criam animais (em especial galinhas, porcos, patos e carneiros, os mais comumente criados na região) com o objetivo de melhorar as práticas de manejo, promovendo a saúde desses animais e a qualidade dos ambientes de criação, a produtividade dos sistemas e a sustentabilidade dos agroecossistemas.

Manejo e implementação de Sistemas Agroflorestais (SAFs)
Os sistemas agroflorestais são realizados de forma tradicional pelas famílias de agricultores, com a produção de frutíferas e hortaliças utilizada na complementação da renda e na alimentação das famílias e de suas criações. O PMA busca conhecer o manejo tradicional e propor melhorias a partir do incentivo a práticas agroecológicas, que valorizem a produção de alimentos saudáveis e de procedência conhecida, livres de agrotóxicos e de insumos externos, que valorizem o trabalho do agricultor e proporcionem a sustentabilidade das áreas produtivas.
As capacitações e assessorias para o manejo de SAFs buscam aperfeiçoar o manejo dos agroecossistemas aproveitando as características dos sistemas naturais, incentivando a diversificação produtiva, o aumento da agrobiodiversidade e a melhoria do uso do solo.

Manejo Pecuário Agroecológico
Na RDSA a criação de gado bovino e bubalino é uma das atividades praticadas pelas famílias de criadores. Com a finalidade de levantar informações e propor estratégias de assessoria, foram desenvolvidas pesquisas, nos anos de 2005 e 2010, sobre a criação do gado e as práticas de manejo utilizadas pelos criadores. Em 2012, o PMA iniciou atividades de assessoria técnica voltadas a diagnósticos da criação e dos criadores, levantamento de informações sobre o rebanho, formas de criação nas áreas de pasto e sanidade animal.
Por meio de experimentações, o programa busca alternativas de manejo sustentável do gado compatíveis com os objetivos de uma unidade de conservação. Capacitações e assessorias técnicas são oferecidas continuamente aos criadores sobre manejo da criação animal agroecológica, saúde e bem-estar dos animais, uso sustentável do solo das áreas de criação, melhoria da produtividade e redução do desmatamento.

Apoio à organização dos produtores para comercialização
As atividades desta linha estimulam a organização e o fortalecimento de agricultores, criadores e grupos de produtores para a gestão de unidades produtivas e para a melhoria e estruturação do escoamento, da comercialização e da agregação de valor aos produtos da sociobiodiversidade local.
Capacitações e assessorias são continuamente oferecidas com atividades voltadas a boas práticas de beneficiamento das produções, à definição de estratégias de escoamento e comercialização e ao fortalecimento, articulação e organização dos grupos, na busca de soluções para as limitações e dificuldades que enfrentam para comercializar seus produtos.

Manejo e criação de abelhas nativas sem ferrão
A promoção do manejo de abelhas nativas sem ferrão é chamada de meliponicultura e visa, além do fortalecimento da produtividade das áreas de plantio, a diversificação produtiva, a segurança alimentar e a conservação das abelhas nativas e de seus serviços ecológicos, especialmente a polinização.
O PMA realiza capacitações e assessorias técnicas voltadas à formação de multiplicadores, à melhoria das práticas de manejo e ao incentivo à multiplicação das colmeias. A assessoria é oferecida às famílias de criadores em todas as etapas: da construção de caixas padronizadas, captura da colmeia e transferência para a caixa até a multiplicação de colmeias e a extração do mel. Os criadores também são orientados sobre o papel das abelhas na polinização e na produção de frutos.
Resultados
pessoas assessoradas e capacitadas pelo PMA desde as suas primeiras ações: famílias de agricultores, criadores e grupos de produtores das RDSs Mamirauá e Amanã, Flona Tefé, RDS Piagaçu-Purus, Terra Indígena Sateré Mawé (Maués, AM), comunidades quilombolas como Mel da Pedreira (Macapá, AP) e das regiões dos municípios de Tefé, Alvarães, Uarini e Maraã (AM), dentre outros.

Alguns resultados do trabalho do programa até hoje
- Melhoria da articulação de produtores para a comercialização e apoio na realização de Feiras Agroecológicas.
- Melhorias no manejo sanitário das criações de animais e nas práticas de cultivos agrícolas.
- Introdução e incorporação de novas atividades como complemento de renda doméstica e complementação alimentar.
- Construção e incorporação de práticas de manejo que garantam o uso sustentável dos recursos naturais.
- Estabelecimento de redes com outras organizações da Amazônia e participação em fóruns locais e regionais de discussão, que contribuem para trocas de experiências e para a integração entre as instituições.
- Contribuições para a construção e consolidação de políticas públicas voltadas à realidade local, como a Política Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica do Amazonas e a Política Estadual de Meliponicultura do Amazonas.
- Representação na cadeira institucional entre os membros da Comissão de Produção Orgânica do Amazonas (CPOrg-AM).
Fonte: Programa de Manejo de Agroecossistemas
Galeria





















Fale com o programa
Programa de Manejo de Agroecossistemas (PMA) — Instituto Mamirauá. E-mail: pma@mamiraua.org.br
Publicações
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